Ler protege o cérebro, trazendo bem-estar e saúde mental
Ler por prazer não é somente agradável. Uma nova revisão de pesquisadores da Universidade de Cambridge concluiu que, em vários estudos, a leitura esteve associada a melhor atenção e memória, menos problemas de saúde mental e estilos de vida mais saudáveis.
“Ler é uma excelente forma de apoiar a saúde do nosso cérebro, desenvolver competências cognitivas importantes e reforçar o bem-estar”, afirma Barbara Sahakian, professora em Cambridge e autora correspondente da revisão.
Para ela, a leitura é algo que se deve incentivar desde cedo, devido às provas crescentes dos seus benefícios, sobretudo para as crianças. “Mas, na realidade, nunca é tarde para começar e a leitura pode trazer benefícios ao longo de toda a vida e até na velhice”, ressalta Barbara.
Os pesquisadores encontraram evidências de que os benefícios da leitura abrangem todas as idades. Vários indícios apontam para um conjunto de vantagens para os adultos, incluindo menos estresse, maior capacidade de relaxamento e uma atitude mais tolerante face a perspectivas diferentes.
Entre os mais velhos, os autores sublinharam que a leitura é particularmente benéfica. As atividades de lazer que estimulam o cérebro estão associadas a um declínio cognitivo mais lento e a um risco reduzido de demência neste grupo etário.
Os benefícios eram ainda maiores quando as pessoas faziam parte de grupos de leitura ou clubes de livro. Divertidos e benéficos para qualquer idade, grupos de leitura são ótimos para as pessoas mais velhas que podem não ser tão móveis — a leitura é algo de que a maioria pode desfrutar.
“Estes grupos podem ajudar as pessoas a sentirem-se menos isoladas e mais ligadas aos outros, o que se sabe reduzir o risco de demência”, afirma Barbara.
Potencial para futuras intervenções
Com o aumento dos problemas de saúde mental em todo o mundo, os pesquisadores concentram-se cada vez mais nos fatores de estilo de vida que podem contribuir para reverter este cenário.
A leitura enquadra-se nesta categoria como um “fator de proteção acessível e de baixo custo ao longo da vida”, referiram os autores do estudo.
Notaram, porém, que os mecanismos cerebrais precisos por meio dos quais a leitura produz estes efeitos positivos ainda não são totalmente compreendidos e que é necessária mais investigação.
Ainda assim, a revisão aponta as intervenções baseadas na leitura como uma estratégia prática para apoiar a saúde cerebral, o desenvolvimento cognitivo e o bem-estar.
“As políticas que promovem hábitos de leitura desde cedo, através de escolas, bibliotecas, clubes de leitura e iniciativas comunitárias, têm potencial para ajudar a mitigar alguns dos efeitos adversos da pobreza no desenvolvimento do cérebro e nos percursos de aprendizagem, oferecendo benefícios acadêmicos e de desenvolvimento a longo prazo”, escreveram os autores.
Fonte: com informações de Marta Iraola Iribarren para o Euronews.






