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Fragmento do tratado de paz mais antigo do mundo é encontrado na Turquia

Arqueólogos descobriram um fragmento de 3.400 anos do tratado de paz mais antigo do mundo. O acordo conhecido como Tratado de Kadesh foi assinado por volta de 1269 a.C., na antiga capital hitita de Hattusha, na atual Turquia, entre Ramsés II do Império Egípcio e Ḫattušili III do Império Hitita.

No tratado, os soberanos das duas maiores potências da Idade do Bronze colocaram fim a décadas de disputa pelo controle do Mediterrâneo oriental. O fragmento recém-encontrado vem somar a outras partes do tratado que já haviam sido encontradas em diferentes cópias.

Agora, os pesquisadores esperam continuar a decifrar os textos e complementar o quebra-cabeça histórico. O fragmento é uma pequena tabuleta de argila com escrita cuneiforme e contém parte do texto relacionado ao tratamento de refugiados.

Supostamente descreve os artigos 12 a 20 do tratado, passagens relevantes que explicam o tratamento dado às pessoas que fugiram de seu país durante o conflito e buscaram refúgio no outro.

Para os pesquisadores, esse conteúdo também revela aspectos importantes sobre a maneira como questões políticas, diplomáticas e humanitárias eram tratadas entre grandes Estados da Idade do Bronze.

A descoberta foi anunciada pelo ministro da Cultura e Turismo da Turquia, Mehmet Nuri Ersoy. “Encontramos vestígios de paz que remontam a milhares de anos no solo da Anatólia”, disse Ersoy em uma publicação nas redes sociais. 

“O novo texto contém trechos de suas disposições que regulamentam o tratamento de pessoas que buscam refúgio de um país para outro. Os depoimentos sobre não destruir as casas das pessoas carregam uma mensagem forte de milhares de anos atrás até os dias de hoje”, acrescentou.

Acordo de soberanos

Decifrar os textos e reconstruir a história leva décadas, mas é evidente que o tratado promete paz, amizade duradoura, não agressão, integridade territorial, extradição e tratamento justo para os refugiados.

Dois exemplares do tratado na versão egípcia foram gravados nas paredes de dois templos em Tebas e traduzidos no início do século XIX pelo francês Jean-François Champollion. Partes da versão hitita foram encontradas posteriormente, em 1906, entre as ruínas de Hattusa, atualmente localizada na região central da Turquia.

(Foto à esquerda: Olaf Tausch) (Foto à direita: İstanbul Arkeoloji Müzeleri)

Cópia do tratado gravado em texto ilustrado na parede de um complexo religioso no Egito (esquerda); imagem da versão hitita do tratado (direita).

Os textos achados contêm artigos estabelecendo oficialmente o fim das hostilidades, declarando uma “paz e fraternidade perfeitas” que deveria durar para sempre, estendendo-se aos filhos e netos de ambos os soberanos. Inclusive, um ajudaria o outro contra inimigos, se fosse preciso para garantir a linha de sucessão.

Se um terceiro país atacasse o Egito — como os povos do mar ou os assírios — e Ramsés pedisse ajuda, Hatusil seria obrigado a enviar seu exército e carros de guerra. O mesmo valia para o Egito defender os hititas.

O texto trata ainda sobre rebeliões internas. Se súditos de um dos soberanos se rebelassem contra o poder, o outro deveria intervir militarmente para ajudar a esmagar a revolta e restabelecer a legitimidade do soberano.

Ao contrário de muitos acordos modernos violados pouco tempo depois, o Tratado de Kadesh resultou em uma paz altamente eficaz e duradoura. Após a assinatura, egípcios e hititas nunca mais voltaram a guerrear entre si. 

Fonte: com informações de Tom Hale para a Ifl Science.

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