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Lindas flores desabrocham, formando tapete colorido no Deserto do Atacama

Um tapete de flores exuberantes marca um espetáculo ecológico único, em uma das regiões continuamente secas mais antigas do mundo: o deserto do Atacama, no norte do Chile. As chuvas atípicas provocadas pelas mudanças climáticas do El Niño ativaram milhões de sementes e bulbos dormentes, dando origem ao famoso fenômeno do “Deserto Florido”.

No local, existem cerca de 200 espécies diferentes que ficam longos períodos à espera de água. Muitas dessas sementes mantêm seu poder de germinação intacto por mais de 10 ou 15 anos sem receber uma única gota de chuva.

Quando a água finalmente chega, o cenário árido e de tons terrosos rapidamente se transforma em um imenso tapete colorido, com predominância de flores em tons de violeta, rosa, vermelho, amarelo e branco.

Entre as espécies mais representativas está a pata-de-guanaco (Cistanthe longiscapa), que colore grandes extensões com suas pétalas pigmentadas por betalaínas, nas cores violeta e magenta, além de variações que puxam para o roxo e o rosa-intenso.

Também se sobressai a rara garra-de-leão (Bomarea ovallei), espécie criticamente ameaçada com flores vermelhas. O palco natural ainda é embelezado com outras quatro variedades de añañucas (Rhodophiala). Essas plantas geófitas possuem bulbos subterrâneos capazes de armazenar energia por anos para resistir à seca extrema.

(foto: Javier Torres / AFP)

Dezenas de turistas param para tirar fotos da paisagem deslumbrante que, com sorte, pode até incluir um arco-íris sobreposto a um pôr do sol vermelho intenso.

O Atacama está testemunhando mais do que flores. Insetos, caracóis, pássaros, répteis e mamíferos também proliferam, conforme explica César Pizarro, gerente de biodiversidade do Atacama para a CONAF, órgão florestal chileno.

As abelhas se dedicam à polinização, enquanto os besouros se banqueteiam com os restos e fertilizam o solo com seus excrementos ricos em nitrogênio, preparando-o para a próxima chuva.

Pizarro espera que a chegada em massa de turistas não cause muitos danos ao refúgio natural, enfatizando a importância de usar as trilhas demarcadas e deixar os animais de estimação em casa. “Para o nosso país, o deserto florido é motivo de orgulho. Faz parte do nosso patrimônio”, diz.

(foto: Javier Torres / AFP)

O Atacama é considerado o deserto quente (não polar) mais seco do mundo, com algumas áreas recebendo menos de 1 mm de chuva por ano. Curiosamente, os Vales Secos de McMurdo, na Antártida, são mais secos; há estimativas de que algumas áreas desses vales estejam há milhões de anos sem receber nenhum tipo de precipitação significante, seja água líquida ou neve.

Temporada de chuvas

As chuvas têm sido particularmente intensas nesta temporada. Em algumas áreas, ultrapassaram os 180 milímetros, penetrando mais profundamente do que o normal na areia, dando uma nova vida ao local.

Com uma área de 105 mil a 128 mil quilômetros quadrados, se incluir as encostas inferiores da Cordilheira dos Andes, o Deserto do Atacama atravessa cerca de 1.000 quilômetros ao longo do norte do Chile, indo até a fronteira com o Peru. O fenômeno do “deserto florido” na parte sul do Atacama atingirá seu ápice em outubro, com estimativa de que 15.000 hectares fiquem cobertos de flores.

(foto: Javier Torres / AFP)

Prevê-se que a atual edição do El Niño seja a mais forte desde que começaram os registros comparáveis, há quatro décadas. O fenômeno eleva as temperaturas da superfície no Pacífico equatorial central e oriental e causa mudanças globais nos ventos e na precipitação, bem como condições climáticas erráticas.

Fonte: com informações da AFP.

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