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Pressão estética e autocuidado: a escolha que pode definir um corpo saudável

O setor de saúde e bem-estar está dividido como nunca esteve. De um lado, uma pressão estética cada vez mais intensa e, muitas vezes, perigosa. Do outro, ganha força uma parcela de pessoas que começa, a partir do autocuidado, a construir uma relação mais madura com o próprio corpo.

Conforme o especialista em wellness, Nelson Lins, essas duas forças convivem hoje, puxando o comportamento do consumidor em direções opostas. Para ele, a forma como essa disputa se resolver pode ajudar a definir os próximos anos do setor.

O fato é que a busca pelo corpo perfeito não acabou. Pelo contrário: nos últimos anos, episódios envolvendo o uso indiscriminado de anabolizantes, procedimentos estéticos realizados inadequadamente e a busca por transformações físicas cada vez mais rápidas colocaram em evidência o quanto a pressão pela aparência pode ultrapassar limites.

“Basta olhar para os casos que ganharam repercussão pública de pessoas que sofreram consequências graves depois de recorrer a substâncias ou procedimentos em busca de um determinado padrão corporal”, afirma o especialista.

As redes sociais, segundo ele, também ampliaram essa pressão. Filtros, corpos editados, rotinas de treino exibidas como padrão e a exposição constante de resultados “antes e depois” criam uma referência de beleza que, muitas vezes, não corresponde à realidade.

“A estética pode se transformar, para muita gente, em uma corrida sem linha de chegada, movida por comparação e ansiedade”, ressalta Lins, lembrando que isso é um problema de saúde pública, não uma tendência de mercado a ser celebrada. “Quem trabalha com saúde tem a responsabilidade de dizer isso com clareza: nenhum resultado estético justifica colocar o corpo em risco.”

A virada que vem acontecendo

Mas há um movimento paralelo, mais silencioso, que chama atenção por apontar um caminho melhor. Há sinais de que uma visão mais ampla sobre saúde e bem-estar vem ganhando espaço entre os consumidores.

Neste sentido, a busca deixa de ser simplesmente por questão estética padronizada, incorporando à prática de exercícios objetivos para uma melhora na disposição, saúde mental, alívio do estresse, qualidade do sono e longevidade.

Um levantamento da Vhita realizado com 500 brasileiros maiores de 18 anos, reforça essa percepção: 67% dos entrevistados disseram pretenderem investir mais em saúde mental em 2026. O exercício físico apareceu como meta para 74,6%, enquanto 69,2% afirmaram querer melhorar a alimentação.

Para essas pessoas, os três pilares — saúde mental, exercício físico e alimentação — viraram partes de uma coisa só. Não é sobre emagrecer para o verão, mas viver melhor o ano inteiro. Essa lógica é incomparavelmente mais saudável, física e emocionalmente.

Isso, entretanto, não significa que cuidar da aparência seja um problema — autoestima e autocuidado são legítimos e importantes. “O ponto é a régua. Cuidar de si para se sentir bem é diferente de se colocar em risco para atingir um ideal imposto”, comenta Lins.

(foto: Magnific)

O recomeço do segundo semestre

O segundo semestre costuma trazer uma espécie de segunda chance para quem começou o ano com planos de cuidar mais da saúde e, ao longo dos meses, acabou deixando parte deles pelo caminho.

Depois das férias de julho e da retomada da rotina, muita gente volta a olhar para exercício, alimentação e outros hábitos com a sensação de que ainda há tempo para mudar.

“É justamente nesse momento que fica mais evidente a escolha entre dois caminhos: buscar uma transformação rápida, tentando compensar em poucos meses aquilo que não foi feito ao longo do ano, ou construir uma rotina que possa ser sustentada no longo prazo”, comenta o especialista.

O risco é repetir a lógica das resoluções de janeiro: querer dar conta de tudo de uma vez, com treino diário, dieta radical e uma mudança completa de hábitos. “Quando o resultado esperado não aparece rapidamente, vêm a frustração, a desistência e, em alguns casos, a procura por atalhos perigosos”, diz Lins.

Ele destaca que o caminho sustentável costuma ser menos espetacular, mas mais possível de manter. Pequenos hábitos consistentes valem mais do que grandes intervenções pontuais.

“Uma caminhada, mais um copo de água, dormir um pouco mais cedo. A constância vence a intensidade quando o objetivo é transformar cuidado em rotina e pode fazer isso sem cobrar um preço desnecessário da saúde”, ressalta.

O que o mercado precisa escolher

A economia do bem-estar movimenta cerca de US$ 2 trilhões (R$ 10,2 trilhões) por ano no mundo, segundo a McKinsey, e não para de crescer. Mas esse crescimento coloca uma responsabilidade sobre quem atua no setor.

Dá para faturar explorando a insegurança das pessoas, alimentando padrões impossíveis e prometendo resultados milagrosos. E dá para construir algo mais duradouro, ajudando as pessoas a se relacionarem melhor com o próprio corpo.

Para Lins, a segunda opção deverá prevalecer, visto que o consumidor pode estar começando a entender que saúde não é sobre parecer bem a qualquer custo, e sim sobre viver bem ao longo do tempo.

“O setor que conseguir entender essa diferença e resistir à tentação de lucrar com a pressão estética terá mais chances de construir relações duradouras com esse novo consumidor. E, mais importante do que liderar um mercado, poderá fazer bem às pessoas”, conclui.

Fonte: com informações de Nelson Lins para a Brazil Health.

Nelson Lins: é especialista em wellness, fundador da Selfit Academias e da Face Doctor Franchising.

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