Cuidadores precisam de autocuidado para evitar esgotamento físico e emocional
Muitas pessoas, seja por profissão ou por envolvimento familiar, prestam atenção e cuidados diariamente a adultos ou crianças com problemas de saúde, idade avançada ou deficiências. Essa atividade feita pelos “cuidadores” pode gerar desgaste físico e até alto nível de estresse emocional, um quadro conhecido como Síndrome do Cuidador ou burnout do cuidador.
Porém, existem pequenas medidas a serem tomadas no dia a dia que ajudam a evitar problemas. O primeiro passo é entender que o autocuidado é essencial para quem exerce esse tipo de atividade. Isso não deve ser visto como luxo, mas para manter o vigor físico e mental.
Caso na prática
Para Jessica Renda, o ponto de ruptura foi em um período particularmente caótico. Consumida pelos problemas de saúde mental e comportamental de sua filha mais velha, ela parou de se exercitar e de fazer qualquer outra coisa que lhe trouxesse alegria.
Diante da situação que estava por um fio, ela pensou: “Preciso mesmo cuidar de mim.” “Sempre dizemos aquele velho clichê: é como a máscara de oxigênio no avião. Mas é a mais pura verdade. Você não consegue ser um bom cuidador para alguém se não cuidar de si mesmo”, relata.
Jessica lidera o grupo de apoio para pais e cuidadores de um projeto desenvolvido pela Aliança Nacional de Doenças Mentais (NAMI), com filial em New Hampshire, nos EUA. O trabalho promove ativamente o autocuidado para as pessoas atendidas.
E ela tem se tornado mais atenta aos seus próprios conselhos, encontrando tempo para si e estabelecendo limites mais saudáveis. “Não é fácil”, admite. “Às vezes brinco: dez minutos no chuveiro chorando é autocuidado? Às vezes é”, afirma.
(foto: Wiroj Sidhisoradej / Magnific)

Especialistas afirmam que existem pequenas medidas que os cuidadores podem tomar individualmente para evitar a síndrome de burnout. Isso pode significar pedir a um vizinho ou outro familiar para assumir os cuidados por um curto período para dar um descanso.
Diretora executiva da NAMI New Hampshire, Susan Stearns também aconselha priorizar o sono e o movimento, mesmo que sejam apenas caminhadas rápidas ao ar livre. “E se for inverno e você não puder sair, eu costumo andar de um lado para o outro em casa por 10 minutos só para me movimentar um pouco, porque sei que vou me sentir melhor”, relata.
De acordo com ela, manter-se conectado a uma comunidade também é fundamental. Isso pode ser feito encontrando amigos pessoalmente, conversando ao telefone ou participando de grupos de apoio online. “Este é um espaço onde as redes sociais podem nos servir”, diz.
Susan acrescenta que o autocuidado pode significar dizer não aos outros e deixar de lado expectativas irrealistas. “Cuidar de alguém é difícil, e acho que às vezes, principalmente as mães, podem colocar a barra muito alta e buscar a perfeição sem perceber que isso já é bom o suficiente”, afirma.
Vale lembrar que o autocuidado se manifesta de maneiras diferentes para cada pessoa. Enquanto algumas ficam inquietas ao tentar meditar, por exemplo, outras pessoas acham isso calmante.
O autocuidado não precisa ser um dia no spa. Pode ser sentar por 10 minutos no carro quando se chega em casa e simplesmente relaxar depois de um dia cansativo antes de adentrar o lar.
Dicas de autocuidado para cuidadores
Pedir e aceitar ajuda: divida as tarefas diárias com familiares, amigos ou cuidadores profissionais.
Estabelecer limites claros: aprenda a dizer não a cobranças excessivas e reconheça que você não consegue fazer tudo sozinho.
Garantir o sono reparador: organize um esquema de revezamento para conseguir dormir e descansar adequadamente.
Manter uma boa alimentação: faça refeições nutritivas e regulares para manter a energia e a imunidade em dia.
Praticar atividades físicas: faça alongamentos ou caminhadas curtas para aliviar a tensão muscular e o estresse.
Validar as próprias emoções: aceite sentimentos como cansaço ou frustração sem se culpar por eles.
Buscar apoio psicológico: converse com um terapeuta ou participe de grupos de apoio para desabafar e receber orientações.
Reservar momentos de lazer: mantenha hobbies e pequenas pausas diárias para fazer algo que lhe traga alegria.
Preservar a vida social: não se isole, mantenha o contato com amigos e converse sobre outros assuntos fora o cuidado.
Organizar uma rotina estruturada: planeje horários de remédios e consultas para evitar a correria e a ansiedade de última hora.
Fonte: com informações de Holly Ramer para a Associated Press.






