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Cientistas brasileiros criam porco clonado para fornecer órgãos aos humanos

Pesquisadores vinculados à Universidade de São Paulo (USP) conseguiram criar o primeiro porco clonado no Brasil e na América Latina. O resultado, aguardado há quase seis anos, representa um enorme passo para viabilizar transplante de órgãos animais em humanos – reduzindo ou mesmo acabando com a fila de transplante no país.

“O passo que demos agora é crucial porque a clonagem de suínos é uma das técnicas mais difíceis de serem dominadas para viabilizar o xenotransplante (transferência de órgãos entre espécies diferentes)”, diz Ernesto Goulart, professor do Instituto de Biociências da USP.

Os porcos são escolhidos como potenciais doadores por causa das semelhanças de tamanho e funcionamento de seus órgãos com os dos humanos. Além disso, são domesticados, se reproduzem bem em cativeiro e originam ninhadas grandes em poucos meses.

De acordo com Goulart, teoricamente é possível aproveitar qualquer tecido ou órgão dos suínos clonados para xenotransplante. Inicialmente, porém, os pesquisadores escolheram rim, córnea, coração e pele.

A escolha se deu porque, juntos, esses órgãos atendem 94% da demanda do Sistema Único de Saúde (SUS), responsável pela realização de 90% a 96% dos transplantes de órgãos no Brasil.

Procedimento genético

Se os órgãos de porcos comuns fossem transplantados diretamente em humanos, seriam rejeitados imediatamente pelo sistema imune humano. Por isso, o genoma do animal precisa ser editado em laboratório.

Dentre os procedimentos, os pesquisadores inativaram três genes suínos que induzem a rejeição. Além disso, empregaram sete genes humanos nas células suínas para torná-las mais compatíveis com o organismo do receptor.

“Esses genes precisam ser inseridos em lugares específicos e da forma correta para garantir sua atividade adequada e que a clonagem seja bem-sucedida”, detalha Goulart.

Os embriões resultantes dessas edições foram transferidos para fêmeas híbridas (linhagens Landrace e Large White). Após uma gestação de quase quatro meses, o primeiro clone de suíno nasceu saudável, com 1,7 kg.

(foto: Docme Comunicação para Genoma USP)

Plantel de suínos clonados

Para os pesquisadores, o fato de o animal estar saudável mostra que deu certo a técnica genética usada na clonagem. Inclusive, já existem outras gestações em andamento.

Os porcos clonados e as proles resultantes do cruzamento entre eles serão mantidos em dois laboratórios pioneiros de produção de suínos em grau clínico da América Latina.

A expectativa dos pesquisadores é produzir inicialmente um plantel de porcos clonados composto por alguns casais. A partir desse pequeno grupo de animais, eles esperam, por meio de reprodução natural, manter e evoluir o plantel, sem a necessidade de clonar indefinidamente.

Uma das vantagens da linhagem de suínos escolhida pelos pesquisadores para obter os órgãos para xenotransplante é o crescimento rápido. Com aproximadamente 7 meses de idade, os animais já atingem o peso necessário ao transplante para um humano adulto com 80 quilos.

Estudos clínicos

Até o momento, nenhum país obteve aprovação para realizar xenotransplante. A fim de viabilizar a tecnologia, estão sendo conduzidos estudos clínicos nos Estados Unidos e há outro prestes a ser iniciado na China.

Com base nos resultados desses estudos clínicos, será possível entender se de fato a solução funciona e qual a sobrevida média do órgão transplantado, entre outras questões.

Apesar de um longo caminho pela frente até a aprovação clínica dos transplantes animais, os pesquisadores brasileiros passaram a dominar uma das fases mais complexas do processo: a clonagem de suínos, considerada tecnicamente mais difícil do que em outras espécies.

Fonte: com informações de Elton Alisson para a Agência FAPESP.

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