Sábado Santo: o invisível já está em movimento
Por Bernadete Freire Campos
Quando tudo parece ter acabado, o Sábado Santo nos ensina que o invisível já está em movimento.
Neste Sábado de Aleluia, também chamado de Sábado Santo, vivemos o dia entre a crucificação na Sexta-feira Santa e a Ressurreição no Domingo de Páscoa.
No tempo do acontecimento real, ninguém sabia o que viria após a morte. Jesus Cristo morreu injustiçado — e tudo parecia ter chegado ao fim.
Veio o silêncio. Um silêncio de derrota, de luto, de dor profunda.
Tudo parecia acabado. Havia promessa de ressurreição — mas não compreensão. E, diante da morte, o que prevaleceu foi o peso da perda.
O Sábado Santo revela esse tempo: o tempo em que Deus parece ausente e a esperança se cala. Mas é também o tempo mais decisivo. Porque é no silêncio que o invisível começa a agir.
Quando nada se vê… tudo já está em movimento. O que parecia fim revela-se passagem. O silêncio não era derrota — era gestação.
Vivemos também o nosso Sábado. Um tempo em que o silêncio ganha proporções gigantescas e ameaça roubar do povo a fé e a esperança.
Diante das injustiças e das omissões, muitos se cansaram de esperar. A confiança se fragiliza. Mas o silêncio não é abandono. É o tempo de Deus.
E esperar não é passividade — é fé ativa, força silenciosa. Porque, se Jesus Cristo venceu a morte, então a injustiça não terá a última palavra.
A Ressurreição é mais do que um milagre: é conversão do olhar, ruptura com o que aprisiona, vida que já não se submete à morte. E um povo que desperta… não aceita mais ser injustiçado.
Este é o chamado: não desistir, não desanimar, mas permanecer.
Porque aquilo que parece fim, pode ser apenas o começo.
Fonte: Bernadete Freire Campos, escritora e palestrante em Neurociência, Filosofia, PNL e Linguagem.






