Insônia em mulheres após os 40 anos tende a ser multifatorial
Dormir pior depois dos 40 anos não é necessariamente sinal de estresse ou de “rotina corrida”. Para muitas mulheres, a mudança na qualidade do sono tem relação com transformações do climatério, fase em que oscilações hormonais e alterações do metabolismo podem afetar o cérebro e o sistema nervoso.
De acordo com a médica nutróloga Mariana Wogel, a insônia nessa etapa costuma ser resultado de um conjunto de fatores, e não de um único gatilho. “O sono da mulher depois dos 40 raramente piora por uma única causa. Na maioria das vezes, há uma combinação de fatores hormonais, metabólicos e nutricionais interferindo na qualidade do descanso”, afirma.
Hormônios que mudam o padrão do sono
Um dos pontos centrais é a redução do estrogênio, hormônio que participa da regulação de substâncias ligadas ao sono, como serotonina, melatonina e GABA. Com a queda desses níveis, o descanso pode se tornar mais leve, com maior tendência a interrupções e menor sensação de recuperação ao acordar.
A diminuição da progesterona também entra na conta. Segundo a especialista, esse hormônio tem efeito calmante e ajuda o corpo a manter o relaxamento necessário para um sono contínuo. Quando ele cai, pode haver mais dificuldade para pegar no sono e aumento de despertares durante a noite.
Outro mecanismo possível envolve o cortisol, associado ao estado de alerta. Em condições normais, ele aumenta nas primeiras horas da manhã para favorecer o despertar. Mas, em algumas mulheres, esse ritmo pode se desregular, com ativação precoce ou excessiva, o que contribui para acordar no meio da noite e ter a sensação de sono “picado”.
Glicose e ondas de calor podem acordar sem aviso
Oscilações da glicose na madrugada também podem atrapalhar. Quando o açúcar no sangue cai ou varia além do esperado, o organismo pode reagir liberando adrenalina e cortisol, elevando o nível de vigilância e interrompendo fases mais profundas do sono. A mulher pode despertar sem motivo aparente, às vezes com ansiedade, coração acelerado ou dificuldade para voltar a dormir.
As ondas de calor, mesmo discretas, são outro fator que pode fragmentar o descanso. A variação de temperatura corporal pode ser suficiente para interromper o sono profundo, reduzindo a sensação de reparação ao longo da noite, ainda que o sintoma não seja percebido com clareza.
Nutrientes e avaliação individualizada
Segundo Wogel, deficiências de magnésio, ferro, vitamina D e vitaminas do complexo B podem agravar a instabilidade do sistema nervoso e piorar sintomas como irritabilidade, cansaço e ansiedade, o que repercute no sono.
Para a médica, a orientação é buscar avaliação individualizada, já que a insônia após os 40 tende a ser multifatorial. “Não se trata só de dormir melhor. A qualidade do sono interfere na saúde metabólica, na composição corporal, na disposição, na memória e na qualidade de vida. Por isso, entender a causa é essencial”, conclui.
Fonte: com informações da Brazil Health.






