Depressão em idosos ainda é subdiagnosticada, comprometendo a qualidade de vida na terceira idade
Com o envelhecimento acelerado da população brasileira, a saúde mental da terceira idade tem se tornado um desafio cada vez mais relevante. Nesse cenário, a depressão figura entre os transtornos mentais mais frequentes nessa faixa etária. Aproximadamente 13% dos idosos brasileiros relatam diagnóstico da doença, conforme dados nacionais.
Especialistas alertam, no entanto, que os números podem ser ainda maiores devido à dificuldade de identificar os sintomas, muitas vezes confundidos com características naturais do envelhecimento.
Doutor em Psiquiatria e Psicologia Médica pela Unifesp, o psicólogo Makilim Nunes Baptista explica que a depressão no idoso nem sempre se manifesta da mesma forma observada em adultos ou jovens.
Muitas vezes aparecem sinais como apatia, isolamento social, perda de interesse por atividades habituais, alterações no sono ou até dificuldades cognitivas que podem ser interpretadas equivocadamente como parte natural da idade.
“Isso pode atrasar a busca por ajuda e o início do tratamento adequado”, ressalta Makilim. Além disso, segundo ele, um diagnóstico diferencial é sempre importante de ser realizado, para avaliar também outras comorbidades, inclusive vários tipos de demências.
Identificação precoce dos sintomas
Portanto, diante de um quadro de depressão, a avaliação psicológica tem papel fundamental na identificação precoce desses sintomas, permitindo uma compreensão mais aprofundada do estado emocional do paciente.
Entre os recursos disponíveis para auxiliar esse processo está a Escala Baptista de Depressão — Versão Idosos (EBADEP-ID), instrumento psicológico desenvolvido por Makilim especificamente para avaliar a sintomatologia depressiva em pessoas com 60 anos ou mais.
A ferramenta foi construída considerando características próprias da terceira idade, incluindo possíveis limitações cognitivas e físicas, e pode ser utilizada por psicólogos em contextos clínicos, institucionais e de pesquisa, servindo como apoio ao processo de avaliação.
Composta por 20 itens objetivos, a escala permite identificar a frequência e a duração de sintomas depressivos, contribuindo para uma análise mais ampla da saúde mental do idoso.
“Desenvolvemos esse instrumento considerando as características específicas da população idosa. A proposta é oferecer ao profissional uma avaliação mais sensível dos sintomas, permitindo identificar aspectos que poderiam passar despercebidos em outros mais generalistas e contribuindo para decisões clínicas mais assertivas”, afirma Makilim.
Avaliação mais abrangente
Além de identificar sinais associados à depressão, a escala também permite observar indicadores de comportamentos saudáveis e aspectos positivos do funcionamento emocional, contribuindo para uma avaliação mais abrangente e humanizada, um grande diferencial desta escala.
O tema ganha ainda mais relevância diante de projeções que indicam que, em 2046, as pessoas com 60 anos ou mais representarão cerca de 28% da população brasileira, tornando-se o maior grupo etário do país.
Para Makilim, o envelhecimento da população brasileira exige um olhar cada vez mais atento para a saúde mental. Quanto mais cedo identificar os sinais de sofrimento psicológico, maiores são as possibilidades de intervenção, prevenção de agravamentos e promoção da qualidade de vida.
“Cuidar da saúde emocional é tão importante quanto cuidar da saúde física em qualquer etapa da vida, especialmente na velhice”, conclui o especialista.
Fonte: com informações do Saúde Debate.





