Armadilhas da paixão obsessiva devem ser evitadas ao procurar o amor
Não é incomum conhecer alguém e se apaixonar perdidamente, mesmo mal conhecendo a pessoa. Acredita-se ser amor e se passa o dia flutuando, perdido em fantasias de casamento, futuros compartilhados e risadas sem fim. Mas, quando a euforia passa, especialmente se as coisas terminarem mal, o efeito pode ser devastador. Isso é consequência de um fenômeno chamado paixão obsessiva.
Conforme o psicólogo especializado em relacionamentos, Mark Travers, este tipo de paixão é avassalador, com pensamentos obsessivos, dependência emocional e uma necessidade desesperada de reciprocidade. Ela pode transformar o amor tanto em uma euforia intensa quanto em uma luta exaustiva.
“Quanto mais profundo o apego, mais forte se torna o medo de perder a pessoa amada, prendendo você em um ciclo de ansiedade e desespero”, ressalta o psicólogo, destacando dois motivos pelos quais isso acontece: apego ansioso e uma mentalidade de escassez.
Apego ansioso
Uma pessoa pode ir às nuvens quando recebe um elogio de alguém por quem está apaixonada. No dia seguinte, se o parceiro parece distante, logo a pessoa se sente arrasada. Porém, em um relacionamento saudável e amoroso, o humor não depende inteiramente das ações do parceiro.
“Mas, na paixão obsessiva, o comportamento dele dita como você se sente. Uma mensagem carinhosa alegra o seu dia, e uma mensagem ignorada arruína o dia seguinte”, exemplifica Mark. Esse intenso estado emocional se alinha estreitamente com o que é conhecido como amor desesperado ou apego ansioso “fusional”.
Isso envolve um desejo irresistível de se fundir com outra pessoa, ao mesmo tempo que se sente profundamente inseguro em relação ao relacionamento. Pessoas com esse estilo de apego têm dificuldade com a separação e podem reagir com emoções intensas, como tristeza, dependência excessiva, raiva ou até mesmo agressividade.
Se alguém tem um apego ansioso, provavelmente anseia por uma conexão profunda, mas teme o abandono, talvez transformando cada interação em um teste do compromisso do seu parceiro. Essa vigilância constante faz com que fique hiperconsciente de sinais sutis de rejeição — mensagens atrasadas, mudanças de tom de voz —, alimentando pensamentos obsessivos e sofrimento emocional.
Um estudo científico publicado em 2011 sugere que indivíduos com apego ansioso experimentam intensa dor psicológica diante da mera ameaça de abandono. Eles ficam obcecados com cenários de rejeição, oscilam entre dependência excessiva e hostilidade e frequentemente se sentem presos em ciclos de emoções negativas — todos sintomas clássicos da paixão obsessiva.
Mentalidade de escassez
Para algumas pessoas, “E se eu nunca encontrar outra pessoa?” é um medo comum que surge quando estão solteiras há algum tempo. Assim, é fácil cair na armadilha de acreditar que seu relacionamento atual é a única oportunidade para encontrar o amor.
Um estudo de 2023 sugere que a sensação de falta de recursos pode diminuir a confiança e o autocontrole, tornando mais difícil esperar por resultados melhores. “Essa sensação de escassez também pode afetar seus relacionamentos. Se os relacionamentos anteriores terminaram mal, você pode se apegar desesperadamente a uma nova conexão, temendo que seja a última”, destaca Mark.
Quando movida pelo medo em vez de uma conexão genuína, a pessoa arrisca confundir obsessão com amor. O terror da solidão pode fazer com que se fixe em alguém, interpretando a intensidade como paixão.
Ao mesmo tempo, a fantasia idealizada de “A Pessoa Certa” a mantém presa. Se acreditar que apenas uma única pessoa pode completar seu relacionamento, cada interação, por menor que seja, parecerá monumental, e cada revés, catastrófico. “Essa mentalidade alimenta a paixão obsessiva, fazendo com que persiga uma ilusão em vez de construir um amor verdadeiro e duradouro”, ressalta o psicólogo.
(foto: Prostooleh / Magnific)

Você está apaixonado ou apenas obcecado?
Para descobrir se está preso em uma paixão obsessiva, pergunte a si:
- Será que me obceco tanto por eles a ponto de negligenciar minha própria vida?
- Meu humor oscila drasticamente dependendo da atenção que recebo?
- Eu me sinto inútil sem a aprovação deles?
- Será que estou sacrificando minhas necessidades só para mantê-los por perto?
No caso de se identificar com essas situações, provavelmente está escolhendo parceiros com base no medo, em vez da compatibilidade. Porém, existem maneiras de superar essa mentalidade, mesmo quando se tem pavor de deixar alguém ir embora. Confira:
Reformule seus medos: anote o pior cenário possível. Pense: “Se terminarmos, ficarei sozinho para sempre”. Agora, questione esse pensamento. Isso é verdade, ou o medo está distorcendo a realidade? Também é importante mudar de uma mentalidade de escassez para uma de abundância para combater seus medos — lembre-se de que você tem muitas oportunidades de encontrar o amor.
Recupere sua independência: invista em si mesmo, reacendendo antigas paixões, desenvolvendo novas habilidades e cultivando amizades. É fundamental também que desvincule seu valor da aprovação alheia — a confiança deve vir de dentro, não da validação externa.
Estabeleça limites: perceba quando estiver se doando demais nos relacionamentos. O amor não deve exigir que abandone suas necessidades. Ao mesmo tempo, pratique a tolerância à incerteza quando outra pessoa estiver envolvida, para que você também respeite os limites dela. Relacionamentos saudáveis prosperam na confiança, não no controle.
O amor verdadeiro floresce com um senso de segurança e respeito mútuo. Quando você se liberta do medo de perder alguém que mal conhece, cria espaço para um amor que parece sólido, não desesperado. Esse é o tipo de amor que vale a pena cultivar.
Fonte: com informações de Mark Travers para o Therapy Tips.






