Tribo Quântica

o seu portal holístico

Perceber sinais em alguém com crise mental pode evitar o pior

Identificar e ajudar alguém em crise de saúde mental pode evitar o agravamento de transtornos, comportamentos autolesivos e tentativas de morte intencional. Independentemente da causa, o melhor a fazer é iniciar uma conversa o mais cedo possível e procurar apoio profissional.

Especialistas em saúde mental afirmam que a causa de uma crise varia de uma pessoa para outra. Além disso, pode ocorrer abruptamente ou se intensificar ao longo do tempo até atingir um ponto crítico.

Mas existem alguns sinais importantes que podem indicar que alguém está passando por dificuldades, e eles podem ser sutis no início.

“Minha crise pode não ser a sua crise, mas o que sabemos é que, independentemente de como as pessoas definam crise, há uma mudança em como se sentem, uma mudança em como se comportam”, diz Theresa Miskimen Rivera, presidente da Associação Americana de Psiquiatria.

Neste contexto, as crises podem começar quando alguém sente depressão ou ansiedade, mas não consegue identificar a causa.

Outros sinais podem incluir:

  • Não sentir mais prazer ou não se envolver em coisas de que costumava gostar.
  • Interagir menos socialmente.
  • Irregularidades no sono.
  • Diminuição da higiene.
  • Aumento do consumo de álcool ou drogas.
  • Oscilações extremas de humor.
  • Falar sobre ser um fardo para os outros.
  • Sentir-se sem esperança, querer morrer ou se matar, não ter razão para viver.

Se você notar essas mudanças em alguém, é hora de uma conversa para abordar a questão da saúde mental, dizem os especialistas.

Crises de saúde mental podem ser desencadeadas por uma perda repentina ou um evento traumático, por uma convulsão pessoal ou social, por condições de saúde preexistentes ou por qualquer combinação de fatores.

Início da conversa

Especialistas em intervenção em crises recomendam reservar um momento para pesquisar e se preparar, antes de iniciar uma conversa com alguém em crise. 

A forma da abordagem é fundamental e pode ser dividida em quatro partes:

▪️ Comece com uma pergunta aberta que reconheça a mudança de comportamento. Por exemplo: “Notei que você não tem aparecido (no espaço que compartilhamos) ultimamente. Quero saber como você está. O que está acontecendo?”

▪️ Demonstre seu carinho e preocupação pela pessoa.

▪️ Pergunte como eles estão vivenciando a crise. “O que aconteceu com você que te levou a (nomeie a mudança de comportamento)? O que mudou para você? O que te preocupa?”

▪️ Reconheça que é um momento difícil e pergunte diretamente: Você está tendo pensamentos suicidas ou de automutilação? Nesse momento, você também deve pensar em outros tipos de apoio e recursos disponíveis para a pessoa. Seu papel é apoiá-la, não tratá-la. Pergunte a ela: O que seria útil agora?

No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito pelo telefone Disque 188 (24 horas), além de chat, e-mail e pessoalmente. Em 2025, foram oferecidos 2 milhões de apoios, por aproximadamente 3.200 voluntários, presentes em 19 estados, além do Distrito Federal.

(foto: Freepik)

Importante saber que crises de saúde mental são complexas, sendo fundamental compreender os estigmas culturais e outras barreiras que podem dificultar o início de uma conversa.

Para algumas pessoas, começar logo com termos diagnósticos como “depressão” e “ansiedade” pode fazer com que se fechem. Outras podem não dizer nada na primeira tentativa de conversa, mas voltar dias ou semanas depois para falar.

O uso de “atividades paralelas” é viável para aliviar a pressão da abordagem. Criar espaço para uma conversa sobre saúde mental durante uma caminhada ou passeio de carro pode permitir que alguém se abra sem forçar contato visual ou formalidades.

É importante validar e normalizar a experiência da pessoa sem minimizá-la. Não se deve descartar nada como “apenas uma fase”. Compartilhar sua própria experiência pode ser útil até certo ponto, mas certifique-se de não fazer da conversa algo totalmente pessoal.

Cura pode levar anos

A pessoa a ser ajudada também pode precisar de apoio ao longo dos anos de tratamento. Deste modo, é importante considerar outros recursos não médicos, incluindo organizações religiosas, centros comunitários e escolas.

Acima de tudo, é preciso não deixar que a notícia de que o ente querido está passando por dificuldades manche a sua visão sobre essa pessoa.

Ter pensamentos suicidas ou passar por uma crise de saúde mental não diminui quem essas pessoas são para os seus familiares ou amigos; elas continuam sendo as mesmas.

Pode parecer assustador, mas é importante perguntar diretamente à pessoa se tem planos de se machucar ou tirar a própria vida e se pretende concretizá-los.

No caso de alguém estar em perigo iminente de se machucar ou machucar outras pessoas, é preciso procurar ajuda profissional imediatamente.

O ideal é que isso seja feito em conjunto com a pessoa em crise, com o objetivo de dar a ela autonomia e aumentar sua confiança para pedir ajuda.

Fonte: com informações de Devi Shastri para a Associated Press.

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *