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Mitos populares perpetuam ideias falsas sobre o cérebro

Frases repetidas desde a infância sobre como o cérebro funciona seguem circulando como se fossem verdades. O problema é que parte dessas crenças não acompanha o que a neurociência vem mostrando nas últimas décadas e pode levar a escolhas ruins no dia a dia, do jeito de estudar ao modo de trabalhar e lidar com a memória.

Para a neurocientista Carol Garrafa, revisar esses conceitos vai além de “corrigir informações” e ajuda a tomar decisões mais realistas sobre aprendizado, produtividade e autocuidado. “O cérebro está em funcionamento o tempo todo, mas não com o máximo potencial pelo mau uso que fazemos dele, pelas crenças limitantes e sobrecarga”, afirma.

Nem 10% nem partes desligadas

Um dos mitos mais conhecidos diz que as pessoas usam apenas 10% do cérebro. Segundo a especialista, essa ideia não tem suporte científico: diferentes áreas são ativadas conforme a tarefa e, mesmo em repouso, o cérebro mantém atividade intensa, organizando informações e regulando funções vitais. “O cérebro é um órgão extremamente eficiente, com áreas que se ativam de forma coordenada conforme a necessidade. E não existe uma parte ‘desligada’ esperando para ser usada”, diz Garrafa.

Aprender na vida adulta é possível, mas exige estratégia

Outra crença comum é que, depois de adulto, aprender vira uma missão quase impossível. A neurocientista contesta: a capacidade de formar novas conexões permanece ao longo da vida, ainda que o processo mude com a idade. “Crianças aprendem mais rápido porque estão constantemente expostas a estímulos inéditos e erram sem resistência. Adultos, por outro lado, tendem a evitar o desconforto do erro”, afirma.

Na prática, ela orienta criar rotina e constância. “O melhor a fazer é criar uma rotina de aprendizados onde haja espaço para novos estímulos, acreditando no processo e no progresso contínuo da prática”, diz.

Multitarefa, álcool e memória: o que a ciência indica

A sensação de produzir mais fazendo várias coisas ao mesmo tempo também é enganosa. Para Garrafa, o cérebro não executa múltiplas tarefas complexas simultaneamente; ele alterna o foco, o que aumenta fadiga e os erros. “Um dos maiores equívocos sobre a multitarefa é acreditar que ela nos torna mais produtivos”, afirma. A recomendação é priorizar foco único e reduzir interrupções, como notificações do celular.

Já o álcool não “mata neurônios” automaticamente em episódios pontuais, mas o consumo frequente e em grande quantidade pode comprometer a comunicação neural, memória, coordenação e controle emocional. “O impacto da substância é mais funcional do que imediato. Ela afeta como o cérebro opera, especialmente no longo prazo”, diz.

Outro ponto é a comparação da memória com um HD. Segundo a especialista, lembrar não é “reproduzir” um arquivo: recordações podem ser reconstruídas e atualizadas com emoções e informações do presente. “Memórias não são registros exatos, mas narrativas que evoluem ao longo do tempo”, afirma.

Por fim, Garrafa destaca que esquecer nem sempre é sinal de problema: pode ser uma forma de o cérebro filtrar o que não é relevante. “O esquecimento está longe de ser uma falha: é uma estratégia do cérebro para se manter eficiente”, diz. E ela também rebate a ideia de que o lado esquerdo seria “lógico” e o direito “criativo”: decisões e criatividade dependem de redes integradas e não de um hemisfério isolado.

Fonte: com informações da Brazil Health.

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