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5 suplementos que exigem atenção na menopausa e podem trazer riscos

O uso correto de suplementos na menopausa pode reduzir fogachos, melhorar o sono, combater a inflamação, fortalecer ossos e até aliviar o humor instável. Mas, por outro lado, suplementar de forma aleatória — sem a orientação de um profissional e sem a dosagem correta — pode fazer mais mal do que bem.

A médica Tatiana Tais Teixeira Gelezolo explica que a menopausa é uma fase que se beneficia muito de um suporte nutricional inteligente. “Mas para isso funcionar de verdade, é preciso ter clareza sobre o que o seu corpo precisa. E não o que a vizinha, a influencer ou o grupo de WhatsApp recomendam”, orienta.

Para evitar problemas, a médica diz que exames, histórico clínico e sintomas individuais devem sempre guiar as escolhas. Até porque, nesta fase da vida, o corpo da mulher está em constante transformação hormonal — ele reage de forma diferente a substâncias, inclusive às naturais.

Conheça os 5 suplementos que exigem mais atenção na menopausa:

Vitamina D: essencial, mas perigosa em excesso.

A vitamina D é fundamental na menopausa para a saúde dos ossos, imunidade e humor. O problema é que ela é lipossolúvel — ou seja, se acumula no organismo. Doses altas sem acompanhamento podem causar hipercalcemia (excesso de cálcio no sangue), com sintomas como náuseas, fraqueza, pedras nos rins e até alterações cardíacas. Muitas mulheres tomam doses cavalares sem saber o nível que já têm no sangue. O ideal é dosar primeiro, suplementar depois.

Melatonina: o sono não volta sozinho com dose alta.

A queda de estrogênio interfere diretamente na produção de melatonina, e é por isso que os distúrbios de sono são tão comuns na menopausa. A suplementação pode ajudar — mas doses muito altas (acima de 1–2 mg) podem causar sonolência diurna, pesadelos e até piorar o padrão de sono a longo prazo. Além disso, pode interagir com medicamentos para pressão e antidepressivos. Mais não é sempre melhor.

Ferro: quando o ciclo para, a necessidade muda.

Na pré-menopausa, muitas mulheres têm anemia pelo sangramento intenso. Mas após a menopausa, a necessidade de ferro cai drasticamente. Continuar suplementando sem indicação pode levar ao acúmulo de ferro no organismo — uma condição chamada sobrecarga de ferro — que favorece inflamação, aumenta o risco cardiovascular e sobrecarrega o fígado. Ferro sem anemia confirmada é um risco desnecessário.

Fitoestrogênios (soja, isoflavonas): natural não significa inofensivo.

As isoflavonas de soja têm ação similar ao estrogênio no corpo e podem aliviar fogachos em algumas mulheres. Mas, justamente por mimetizarem o hormônio, precisam de cuidado: em mulheres com histórico de câncer hormônio-dependente (mama, ovário, endométrio) ou com miomas, o uso indiscriminado pode ser contraindicado. O fato de ser “natural” não elimina o risco — elimina a negligência.

Magnésio: ótimo aliado, mas na forma e dose certas.

O magnésio é um dos suplementos mais indicados na menopausa — ajuda no sono, reduz a ansiedade, protege os ossos e melhora a resistência à insulina. O problema está na forma errada (como o óxido de magnésio, pouco absorvido) ou em doses altas que causam diarreia e desconforto intestinal. Em pessoas com doença renal, o excesso pode ser sério. A escolha da forma e da dose faz toda a diferença.

Fase natural da vida

A menopausa é um fenômeno natural na vida da mulher, representando o fim da fase reprodutiva e marcando o encerramento definitivo da menstruação. Geralmente acontece por volta dos 45 a 50 anos.

Entretanto, uma pequena parcela de mulheres pode experimentar a chamada menopausa precoce devido a fatores hereditários, cistos no ovário, medicamentos para acne, cirurgia nos ovários, doenças autoimunes ou consequências de quimioterapia.

Suplementar na menopausa pode ser uma estratégia poderosa, quando feita de forma correta. Antes de iniciar qualquer suplementação, busque orientação de um profissional de saúde que conheça a fisiologia feminina nesta fase. O corpo de cada mulher é único e pede atenção à sua medida.

Fonte: com informações de Tatiana Tais Teixeira Gelezolo para a Brazil Health.

Tatiana Tais Teixeira Gelezolo, CRM 121.335: cirurgiã geral com pós-graduação em Cirurgia Geral, Cirurgia Plástica; atualmente, pós-graduanda em Nutrologia.

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