Cães de terapia trazem calma e alegria aos alunos após tiroteio em escola
Com rabos abanando e olhares bondosos, Norene e Polenta, duas labradoras douradas, recebem diariamente pela manhã os alunos de uma escola pública nos Estados Unidos, que foi palco de uma tragédia no ano passado: um aluno disparou e feriu dois colegas antes de tirar a própria vida. A presença dos animais trouxe alegria e descontração ao ambiente.
As duas labradoras fazem parte do programa da Canine Companions, uma organização sem fins lucrativos que fornece gratuitamente cães de apoio emocional para vítimas de trauma. Todos os dias, a dupla percorre os corredores e visita as salas de aula, oferecendo sua presença afetuosa e tranquilizadora para aqueles que ainda se recuperam do susto.
“Toda manhã, depois que desço do ônibus, tenho que cumprimentar essas duas. É a primeira coisa que faço todos os dias”, diz Fisher Helbraun, aluno do terceiro ano do Ensino Médio na Evergreen High School. “Toda vez que vejo uma delas, sempre abro um sorriso. Sempre ganho uns beijinhos de cachorrinho ou um carinho.”
(foto: David Zalubowski / AP)

Norene, uma cadela jovem e calma que adora atenção, e Polenta, sua colega espirituosa e travessa, começaram a trabalhar definitivamente na escola neste ano, em março e agosto, respectivamente. Mas, desde os dias que se seguiram ao episódio, em setembro de 2025, os voluntários da organização levaram cães ao local.
Treinamento
A organização inicia o treinamento de cães de apoio desde filhotes, quando eles começam a aprender dezenas de tarefas, desde seguir comandos simples como sentar e ficar, até habilidades mais refinadas. Isso inclui como reagir a alunos ou professores que estejam passando por um momento difícil.
Eles também aprendem a ser uma presença estável em áreas da escola que podem desencadear traumas, explica Paige Mazzoni, diretora executiva da Canine Companions.
“O que é realmente poderoso nos cães neste tipo de trabalho é que eles têm muita sensibilidade, são muito inteligentes, respondem muito bem às pessoas e à formação de uma parceria, e é realmente o poder do vínculo humano-canino”, afirma Mazzoni.
(foto: David Zalubowski / AP)

A aluna do último ano, Quinn McEvers, relata que faz questão de ver os cachorros ou acariciá-los todos os dias na escola, porque isso sempre a deixa de bom humor.
“Ter esses cães na escola é incrível porque, quando temos provas, quando há um momento estressante, quando o tempo está ruim, quando, honestamente, qualquer coisa afeta nosso humor, os cães estão lá”, diz.
Impacto positivo
Pesquisas mostram que tiroteios em escolas podem levar a notas mais baixas em provas e a uma queda na capacidade de concentração e foco dos alunos, mas na Evergreen ocorreu o oposto.
A diretora da escola, Skyler Artes, destaca que as notas subiram nos testes AP, os quais são exames padronizados aplicados para avaliar o domínio de estudantes do ensino médio em conteúdos de nível universitário. “Também tivemos uma taxa de graduação de 100% em um ano que foi extraordinariamente difícil”, diz a diretora.
(foto: David Zalubowski / AP)

Depois que um cão é designado para uma instituição, ele permanece lá por oito a dez anos, quando então o animal se aposenta. A diretora diz que planeja adquirir mais cães de apoio emocional quando Norene e Polenta deixarem seus postos.
“Ter uma presença constante, um animal que não se importa muito com o que está acontecendo e que te ama mesmo assim”, diz Skyler, “esse amor e apoio incondicionais são valiosos, não importa o que esteja acontecendo.”
Fonte: com informações de Olga R. Rodriguez para a Associated Press.






