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Entenda os efeitos de consumir notícias ruins e como quebrar esse ciclo

“Eu deveria parar.” Você já pensou ou disse essas palavras enquanto rolava a tela do celular, passando por uma publicação online desanimadora após a outra? Esse fenômeno é popularmente conhecido como doomscrolling — hábito compulsivo de rolar a tela do celular para consumir notícias ruins, tragédias ou conteúdos alarmantes.

O termo doomscrolling, doom (desgraça, catástrofe) e scrolling (rolagem de tela), ganhou popularidade com a pandemia em 2020. Nos primeiros dias, as pessoas ficavam em casa, recorrendo intensivamente aos celulares, computadores e televisores para obter informações e entretenimento.

Nesse período, havia muita incerteza, o que levou as pessoas a buscar informações de forma contínua. No entanto, nenhuma quantidade de informação foi capaz de reduzir a incerteza, mantendo as pessoas presas em um ciclo interminável de buscar, encontrar informações negativas e buscar ainda mais.

Agora, anos depois, muitas pessoas ainda enfrentam dificuldades com o doomscrolling. Frequentemente, começam com o objetivo de compreender uma situação e se preparar para ela. Porém, essa busca por respostas pode se tornar obsessiva e improdutiva.

É provável que o doomscrolling seja motivado por mais do que curiosidade. O cérebro é programado para orientar-se em direção à novidade e à ameaça. Ao longo da existência humana, um cérebro que identificava ameaças — especialmente ameaças novas — era um cérebro que permitia sair do perigo antes que fosse tarde demais.

Essa tendência protetiva, no entanto, pode ter efeito contrário quando se trata da internet. A pessoa pode se sentir bem ao pegar o celular pela primeira vez. Após vários minutos rolando a tela, porém, pode sentir mais ansiedade, irritação, desânimo ou impotência.

“Uma vez que essa negatividade surge, ela passa a funcionar como uma lente, fazendo com que você preste ainda mais atenção a notícias e publicações que justificam e intensificam esses sentimentos”, explica o psicólogo Craig Sawchuk.

O doomscrolling também pode piorar o humor de outras maneiras:

Procrastinação do sono: se você pratica doomscrolling à noite, pode ter dificuldade para parar e, consequentemente, permanecer acordado muito além do horário de dormir. Essa perda de sono pode afetar o humor no dia seguinte. A privação de sono faz com que não sejamos muito agradáveis no convívio. Ficamos menos tolerantes e mais impacientes no dia seguinte.

Prejuízo à saúde social: o tempo que passamos com amigos e familiares tende a ser restaurador. Quando se pratica doomscrolling, pode-se passar tanto tempo no celular que sobra pouco tempo para dedicar aos outros.

Menos exercício físico. Exercício, luz solar e contato com a natureza podem ajudar a amortecer o estresse e favorecer o humor. No entanto, o doomscrolling tende a ser uma atividade sedentária, realizada em ambientes fechados, que nos desgasta.

(foto: Magnific)

Para contrabalançar a tendência do cérebro de buscar o negativo e o novo, considere as seguintes perguntas:

Você pode fazer algo em relação às notícias do dia? Essas informações realmente te ajudam a planejar o futuro? Ou apenas desencadeiam sentimentos negativos sobre algo que você não pode influenciar?

De quanta informação você realmente precisa para planejar e tomar decisões? Algumas informações são úteis, permitindo pesar prós e contras e planejar o futuro. Mas, quando o consumo é maior do que o necessário para planejar ou decidir, isso pode levar à indecisão, a uma sensação de impotência ou ao aumento da negatividade sem qualquer benefício.

Como o tempo online está te afetando? Você tende a se sentir melhor do que antes de começar? Ou pior?

O que você está deixando de fazer por causa do tempo gasto rolando a tela? Como o doomscrolling impacta seu sono, seus relacionamentos, seu trabalho, seu humor e sua saúde física?

Após compreender como o doomscrolling afeta a saúde e a vida, considere estabelecer alguns limites.

Observe seu humor: a cada 5 a 10 minutos, desvie a atenção do feed online e pense em como está se sentindo. Se estiver se sentindo pior, preste atenção nisso.

Entretanto, não significa que precisa parar imediatamente. Você pode rolar a tela por mais cinco ou 10 minutos e fazer outra checagem. Caso tenha começado a se sentir ainda pior, isso é um sinal importante.

Estabeleça um limite de tempo: decida quanto tempo ficará online. Por exemplo, pode concordar consigo mesmo em limitar o tempo de rolagem a 15 ou 20 minutos, duas vezes por dia, e programar um cronômetro.

Substitua a rolagem por atividades saudáveis: dedique mais tempo à socialização, à prática de exercícios ou ao sono.

Fonte: com informações do Saúde Debate.

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