Burnout atinge profissionais de cuidados paliativos e acende alerta sobre saúde mental
O esgotamento emocional de profissionais que atuam em cuidados paliativos tem ganhado espaço nas discussões sobre saúde mental no trabalho. A síndrome de burnout, associada ao estresse crônico ocupacional, pode ser mais frequente nesse campo devido à intensidade do vínculo com pacientes e familiares, geralmente em contextos de doença grave e sem possibilidade de cura.
Reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um fenômeno relacionado ao ambiente de trabalho, o burnout costuma envolver três dimensões: exaustão, distanciamento afetivo e sensação de baixa realização profissional. Na prática, isso pode se traduzir em queda de energia, perda de empatia como forma de defesa e sentimento de que os esforços não fazem diferença.
Estudos apontam que a prevalência varia conforme o serviço, as condições de trabalho e a rede de apoio disponível. Entre os fatores mais associados ao problema estão sobrecarga, falta de suporte institucional e exposição contínua ao sofrimento.
Por que cuidados paliativos podem aumentar o risco
Para a médica Samanta Gaertner Mariani, especialista em cuidados paliativos, o tema precisa ser abordado com mais realismo na cultura da saúde. “Existe uma cultura de que o profissional de saúde precisa dar conta de tudo o tempo todo. Mas ninguém sustenta o cuidado do outro sem cuidar de si primeiro”, afirma.
Segundo ela, em cuidados paliativos, o burnout pode estar ligado à chamada fadiga por compaixão, um desgaste físico e emocional decorrente do contato prolongado com o sofrimento alheio. “São profissionais altamente engajados, que criam vínculos profundos. Isso é uma potência do cuidado paliativo, mas também pode ser um fator de risco quando não há suporte adequado”, explica.
O que pode ajudar a prevenir o esgotamento
Especialistas apontam que a prevenção não depende apenas do indivíduo, embora atitudes pessoais façam diferença. Entre as medidas citadas por Samanta estão estabelecer limites mais claros entre trabalho e vida privada, garantir períodos de descanso de fato e buscar apoio psicológico quando necessário. “Autocuidado não é luxo, é condição para continuar exercendo a profissão com qualidade e presença”, diz.
No ambiente de trabalho, iniciativas coletivas podem reduzir o impacto emocional da rotina. Espaços de escuta e apoio entre equipes, troca de experiências e reconhecimento profissional tendem a funcionar como fatores de proteção, ao diminuir o isolamento e reforçar a sensação de pertencimento.
Treinamento além da técnica
Outro ponto destacado é a capacitação contínua que inclua preparo emocional, e não apenas conhecimento clínico. Para quem lida diariamente com perdas, luto e limites da medicina, ter ferramentas para enfrentar frustrações pode ajudar a manter a resiliência e reduzir o risco de adoecimento mental.
Embora a área seja marcada por situações difíceis, profissionais e serviços podem buscar uma prática mais sustentável. O caminho passa por reconhecer limites, valorizar pausas e entender que cuidar do outro não deve significar adoecer no processo.
Preservar a saúde mental de quem trabalha com cuidados paliativos é parte essencial da qualidade do atendimento oferecido a pacientes e famílias.
Fonte: com informações da Brazil Health.






