5 dicas que ajudam a lidar com momentos turbulentos
Há momentos em que os acontecimentos podem parecer avassaladores. Seja o ciclo implacável de más notícias, uma tragédia em casa ou a pressão diária de se manter à tona, a incerteza que acompanha esses momentos pode causar ansiedade e estresse.
Mas há técnicas comprovadas pela ciência que podem ajudar a desenvolver resiliência e encontrar um pouco de calma. Confira algumas maneiras para colocar em prática nos momentos difíceis.
Aprenda a se preocupar de forma construtiva
Como as preocupações tendem a se fixar no futuro, em vez do passado, isso também pode ser usado para direcionar a atenção para o planejamento e a resolução de problemas. Além disso, pode motivar a agir.
Pesquisas mostram que se preocupar pode ajudar em tudo, desde estar mais preparado para incêndios florestais até tentar parar de fumar. E quando a preocupação é sobre algo que você não pode controlar, entender essa falta de opções pode ajudar a dissipá-la.
De acordo com Kate Sweeny, psicóloga da saúde da Universidade da Califórnia, Riverside, um bom processo para canalizar a preocupação e redirecioná-la, se necessário, é:
- Dê um nome à sua preocupação.
- Faça uma lista mental de possíveis ações para lidar com o problema.
- Se todas as medidas possíveis já foram tomadas, tente entrar em um estado que reduza a preocupação, como o estado de fluxo, a atenção plena e o deslumbramento.
Melhore seu humor com um livro ou música
O livro certo pode mudar sua vida para melhor. Ele pode te levar a um lugar completamente diferente, simplesmente ao abrir suas páginas — a outros países ou até mesmo a outros mundos.
Pesquisas mostram que pessoas que leem regularmente por prazer tendem a ser menos estressadas, deprimidas e solitárias, além de mais conectadas socialmente e confiantes.
A prática crescente da “biblioterapia” consiste em adaptar a recomendação de um livro ao humor ou às preocupações de saúde mental de uma pessoa. O objetivo é “ajudar a aliviar, restaurar e revigorar a mente perturbada — podendo também contribuir para o alívio do estresse e da ansiedade”, segundo um estudo sobre o assunto.
(foto: Azerbaijan Stockers / Freepik)

Mas um livro não é a solução para todos os problemas e, muitas vezes, funciona melhor em conjunto com outras terapias, observam os profissionais. Também é importante escolher com cuidado — ler o livro errado na hora errada pode acabar piorando a situação.
E se você não tiver tempo para abrir um livro, tente ouvir uma de suas músicas favoritas — a música tem o poder de influenciar nossas emoções e pode ter um impacto instantâneo no humor.
Novamente, tenha cuidado, pois, embora o tipo certo de música possa fazer você se sentir melhor, o tipo errado pode até levar você a fazer coisas ruins.
Conte suas bênçãos
Alguns dos melhores conselhos acabam se tornando tão difundidos que se transformam em frases clichês. “Conte suas bênçãos” é uma delas.
Você também pode conhecer como “três coisas boas” ou “lista de gratidão”, mas o conceito é o mesmo: reservar um momento à noite para anotar três coisas boas que aconteceram durante o dia.
Este é um pequeno passo, mas positivo, que pode ter efeitos poderosos. E há evidências científicas que comprovam sua eficácia. Um estudo de 2005 mostrou que pessoas que escreveram listas de três coisas boas apresentaram sinais de níveis mais altos de felicidade e menos episódios depressivos após apenas um mês.
Esses efeitos positivos duraram os seis meses inteiros do estudo. O grupo placebo, que apenas teve sua felicidade medida, apresentou apenas um pequeno aumento nos níveis de felicidade, e esse efeito não se manteve.
Essas listas nem precisam ser eventos que mudam a vida, como conseguir uma promoção ou passar em um exame — pode ser algo tão cotidiano quanto colocar o papo em dia com um bom amigo.
(foto Freepik)

Reconheça o que você pode e o que não pode controlar
Em tempos de incerteza, podemos recorrer a filósofos antigos em busca de conselhos que ainda se mostram relevantes e úteis nos dias de hoje.
Epicteto, nascido por volta de 55 d.C., viveu uma vida de adversidades e vivenciou convulsões políticas. Essas experiências iniciais moldaram seus ensinamentos filosóficos posteriores na escola do estoicismo.
A principal tarefa na vida, afirmou ele, é distinguir entre o que se pode controlar — pensamentos, escolhas e ações — e o que não pode.
Os estoicos argumentavam que grande parte do sofrimento humano provém da resistência ao inevitável ou de depositar esperanças em resultados que nunca estiveram totalmente sob controle.
A esperança é mais eficaz quando está ligada à ação, tanto a nossa quanto a de outros.
Epicteto aconselhava praticar essa distinção, mesmo em pequenas coisas, para que, quando enfrentar qualquer turbulência na vida, a pessoa esteja mais bem preparada.
Vale lembrar também, como ele teria dito: “Não são os eventos que perturbam as pessoas, mas sim seus julgamentos a respeito deles.”
Se reconhecer que a mudança e a adversidade são esperadas, e que se pode aprender com cada evento difícil vivenciado — guerra, pandemia, dificuldades de saúde ou financeiras — a pessoa sairá mais forte dessa experiência.
Aproveite a esperança da maneira correta
Alguns especialistas acreditam que a mera esperança de que as coisas melhorem dá às pessoas desculpas para se afastarem do que é incerto e assustador ao seu redor, sem fazerem nada a respeito.
Mas, após pesquisar sobre a esperança diante das mudanças climáticas, o repórter da BBC, Diego Arguedas Ortiz, descobriu que encontrar o tipo certo de esperança é importante.
Em vez de depositar as esperanças nos outros ou esperar por notícias positivas, a esperança é mais eficaz quando está ligada à ação, tanto individual quanto conjunta.
“A esperança é uma forma de lidar com as dificuldades com foco no significado”, afirma Maria Ojala, psicóloga da Universidade de Örebro, na Suécia. Ela pode ajudar as pessoas a compreenderem as dificuldades do seu mundo e oferecer um caminho a seguir.
Os psicólogos, aliás, acreditam que a esperança surge tanto de objetivos determinados pessoalmente quanto da jornada para alcançá-los.
Fonte: com informações da equipe de reportagens científicas da BBC.






