Gorila órfã resgatada do tráfico tem primeiro filhote após voltar à natureza
A gorila Lulingu, que ficou órfã ainda bebê e resgatada do tráfico de animais, acaba de escrever mais um lindo capítulo na sua história. De espécie criticamente ameaçada de extinção, a fêmea teve o primeiro filhote após ser reintroduzida à natureza no Parque Nacional de Virunga, na República Democrática do Congo — o pai é um macho selvagem que vive no Monte Tshiaberimu.
O bebê nasceu em 21 de maio, mas a notícia foi divulgada somente agora. A equipe de conservacionistas e os guardas florestais optaram por adiar o anúncio global, para monitorar a amamentação e adaptação estável no ambiente selvagem, tanto da mãe de primeira viagem quanto do filhote.
O nascimento mostra que Lulingu conseguiu se adaptar à vida livre. O fato de o filhote ser gerado por um macho dominante que vivia no monte é sinal de que Lulingu se integrou com sucesso ao grupo de gorilas que já vivia na região.
Os gorilas-de-grauer, também conhecidos como gorilas-das-terras-baixas-orientais, estão criticamente ameaçados de extinção. A espécie teve declínio catastrófico, com mais de 60% da população perdida nos últimos 30 anos — hoje, restam menos de 6.800 indivíduos na natureza.
Por isso, o nascimento de cada filhote é uma história de sucesso na conservação. O fato de este filhote vir de Lulingu, uma mãe que quase foi completamente isolada de seu lar nas montanhas, torna-se ainda mais especial.
(foto: GRACE Gorilas)

Lulingu foi uma das quatro gorilas fêmeas transferidas no final de 2024 do santuário GRACE — destinado a gorilas resgatados na província de Kivu do Norte — para o parque em Virunga.
Equipes de resgate encontraram Lulingu quando ela tinha apenas 18 meses de idade, após ter sido separada de sua família e vendida para o comércio ilegal de animais selvagens. Ela foi a gorila órfã mais jovem a chegar ao GRACE.
No local, ela recebeu atenção 24 horas por dia dos seus tratadores, até que outra gorila, Pinga, assumiu o papel de mãe adotiva e a acolheu na grande família de gorilas. Essa família incluía Mapendo, Ndjingala e Isangi — as outras três fêmeas que também retornaram à natureza.
(foto: GRACE Gorilas)

A caça para obtenção de carne de animais silvestres é a principal ameaça desses gorilas encontrados apenas no leste da República Democrática do Congo.
Reintrodução na natureza
A soltura dessas quatro fêmeas, que já se integraram ao grupo familiar do gorila-prateado, foi o culminar de um processo de reintrodução na natureza. O trabalho durou mais de cinco anos, liderado pela GRACE, pelo Parque Nacional de Virunga e pelas comunidades locais, com o apoio da Gorilla Doctors e da Rewild.
Diretora executiva e científica da GRACE, Katie Fawcett diz que o nascimento do filhote é um marco para a espécie. Especialmente por se considerar que criar um filhote na natureza pode ser um desafio até mesmo para mães experientes.
“Estamos cautelosamente otimistas de que Lulingu lidará bem com a maternidade e que o filhote sobreviverá. Independentemente do que aconteça, este é mais um feito histórico para a conservação dos gorilas-das-terras-baixas-orientais”, destaca Katie.
Monitoramento genético
O nascimento também representa um passo importante rumo aos objetivos centrais do projeto de conservação: proporcionar um impulso genético crucial à pequena e isolada população de gorilas em Tshiaberimu.
Além de monitorar o comportamento alimentar do grupo de gorilas, a equipe coleta amostras de urina de forma não invasiva a partir de folhas e utiliza testes de gravidez humanos para detectar níveis elevados de hormônios associados à gestação.
A gestação das gorilas dura normalmente entre 8 e 9 meses. Pelo menos uma das outras fêmeas reintroduzidas na natureza também pode estar grávida e dar à luz nas próximas semanas ou meses.
Fonte: com informações da Rewild.






