Cães mais raros da Amazônia são flagrados em armadilhas fotográficas
Utilizando uma rede de câmeras escondidas em áreas selecionadas da floresta amazônica, cientistas da Wildlife Conservation Society estão desvendando o mistério do cão-de-orelhas-curtas (Atelocynus microtis), um canídeo misterioso apelidado de “cão fantasma” por sua natureza extremamente esquiva.
Chamado no Brasil de cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas, é um dos canídeos menos conhecidos do mundo. O animal tem um focinho semelhante ao de uma raposa, patas palmadas como as de uma capivara e uma cauda grossa, além de uma pelagem espessa que varia do marrom-avermelhado ao cinza-escuro.
(foto: Guido Ayala / María Viscarra / WCS Bolívia)

Em busca de respostas sobre a espécie, um estudo começou há mais de 25 anos, quando pesquisadores instalaram dezenas de câmeras de monitoramento nas regiões de planície da Bolívia e do Peru. A equipe já coletou mais de 594 imagens desses cães na natureza. Até recentemente, o conhecimento sobre a espécie era notavelmente escasso.
O mais impressionante é que eles parecem ter pés semi-palmeados, uma característica única entre os canídeos amazônicos. Isso sugere que eles têm alguma experiência em nadar em ambientes aquáticos, embora a espécie tenda a passar a maior parte do tempo em florestas de altitude, longe dos rios.
Seu estilo de vida também parece ser principalmente diurno, o que significa que são mais ativos durante o dia, com o pico de atividade entre 6h e 12h. Raramente são vistos ao amanhecer e ao entardecer, talvez para evitar a competição com predadores noturnos que gostam de aproveitar as horas do crepúsculo.
(foto: Guido Ayala / María Viscarra / WCS Bolívia)

Os cães-de-orelhas-curtas são os únicos membros de seu gênero e pertencem a uma subtribo conhecida como Cerdocyonina, que apresenta vários outros canídeos nativos da América do Sul, incluindo o lobo-guará, o cachorro-do-mato e a raposa-caranguejeira — que na verdade não é uma raposa, mas come caranguejos.
As armadilhas fotográficas sugerem uma densidade de cerca de 15 indivíduos por 100 quilômetros quadrados, o que indica que são muito menos raros do que se pensava anteriormente.
Apesar de ser uma criatura quase mítica, parte do seu anonimato deve-se ao habitat na densa e remota selva amazônica, raramente alcançada por humanos ou câmeras.
Esse isolamento, contudo, não garante segurança, e os pesquisadores alertam que será necessária uma maior proteção das florestas nativas para que a espécie tenha um futuro promissor.
(foto: Guido Ayala / María Viscarra / WCS Bolívia)

Fonte: com informações da IFLScience.






