Hobbies, como viagens e música, podem compensar o risco genético de doença de Alzheimer
Dedicar-se a hobbies estimulantes durante a meia-idade tende a proteger a saúde cerebral, fornecendo evidências de uma forte defesa contra o declínio cognitivo. Atividades como tocar piano, viajar para o exterior e socializar com amigos surgiram como maneiras eficazes de compensar o risco genético para a doença de Alzheimer.
A descoberta veio de um estudo do Trinity College Dublin, na Irlanda. Os pesquisadores analisaram dados de 587 participantes do programa Prevent Dementia, que examina as origens precoces dos distúrbios de memória.
Todos os participantes tinham entre 40 e 59 anos, no momento da primeira consulta clínica, e eram cognitivamente saudáveis. Entretanto, um terço apresentava risco genético para desenvolver a doença de Alzheimer.
Durante o estudo, eles participaram de vários testes cerebrais. Os cientistas também coletaram dados sobre fatores de risco de saúde dos participantes, além de medir o envolvimento deles em atividades como socializar com amigos, ler, viajar ou atividades ligadas à música e arte.
Em análise detalhada dos dados, os cientistas descobriram que o envolvimento em atividades fisicamente, socialmente e intelectualmente estimulantes na meia-idade é uma das maneiras mais eficazes de impulsionar a cognição.
Essa associação positiva se manteve mesmo para pessoas com risco genético ou familiar aumentado de desenvolver a doença de Alzheimer. Em resumo, os benefícios mentais positivos encontrados para essas atividades de estilo de vida foram mais fortes do que os impactos negativos de ser portador do gene de alto risco.
Os resultados do estudo surpreenderam os pesquisadores. “Já sabemos há algum tempo que atividades de estilo de vida, como exercícios físicos, podem retardar o declínio cognitivo em adultos mais velhos”, disse Lorina Naci, professora do Instituto de Neurociências do Trinity College e do Instituto Global de Saúde Cerebral.
“Ficamos surpresos ao ver que atividades cotidianas estimulantes aumentam significativamente a cognição na meia-idade, décadas antes do início do declínio cognitivo relacionado à idade”, completou a pesquisadora.
Estudo
Os pesquisadores usaram dados do programa Prevent Dementia, que examina as origens precoces dos distúrbios de memória. O projeto avalia indivíduos saudáveis ao longo de um período de dez anos.
Para avaliar o desempenho cognitivo, os participantes realizaram treze testes cerebrais diferentes, envolvendo atenção, linguagem, memória de curto prazo e testes de memória visual.
Os cientistas coletaram dados sobre dez fatores de risco modificáveis: pressão alta, colesterol alto, obesidade, diabetes, deficiência auditiva, sintomas depressivos, tabagismo, consumo de álcool, traumatismo cranioencefálico e má qualidade do sono.
Além desses, os autores registraram fatores de risco não modificáveis, como idade, sexo biológico, histórico familiar de demência e composição genética. Junto a isso, foram coletadas informações para medir o envolvimento dos participantes em atividades estimulantes.
Essas atividades incluíam socializar com familiares ou amigos, praticar um instrumento musical, dedicar-se a um passatempo artístico, praticar exercícios físicos, ler, praticar um segundo idioma e viajar.
(foto: Rawpixel / Magnific)

Com todos os dados em mãos, os pesquisadores utilizaram uma técnica estatística avançada para chegar aos resultados. Importante ressaltar que pode haver interpretações errôneas e limitações a serem consideradas na pesquisa.
Isso porque os cientistas utilizaram questionários respondidos pelos próprios participantes. Às vezes, as pessoas se lembram erroneamente ou superestimam seus hábitos saudáveis, introduzindo um certo grau de viés nos dados.
Outra limitação é a composição demográfica do estudo. Aproximadamente 95% dos participantes eram brancos, o que significa que as conclusões podem não ser totalmente aplicáveis a pessoas de outras origens raciais ou étnicas.
Entretanto, pesquisas futuras acompanharão esse grupo de participantes ao longo de todo o período de estudo de dez anos para determinar como essa associação positiva evolui com o tempo.
Fonte: com informações de Eric W. Dolan para o Psy Post.






