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A Morada de Todos Nós

Por Bernadete Freire Campos

Aprendi com minha mãe a ser mãe.
E minha mãe aprendeu com a mãe dela.

As mulheres do meu passado
eu trago todas dentro de mim.
Seus legados de amor e cuidado,
ainda que, às vezes,
marcados por um amor exigente,
deixaram marcas profundas em mim.

Dizem que nós, mulheres,
nos assemelhamos às lobas.
E, como elas,
muitas vezes carregamos reputações equivocadas.

Mas somos gregárias por natureza.
Cuidamos dos filhos,
dos nossos
e também daqueles
que a vida coloca por perto.

E fazemos isso
sem perder a ternura,
nem a delicadeza de ver nascer de si
um outro ser;
de acompanhá-lo nos primeiros passos,
vê-lo crescer, florescer
e, um dia, ganhar o mundo.

Ventre fecundo,
morada de todo mundo.

Não há ser humano
que não tenha habitado
o ventre de uma mulher.

E talvez existam apenas duas moradas
verdadeiras para todos nós:
ao nascer,
o ventre da mãe;
ao morrer,
o ventre da mãe terra.

Mulher.
Mãe.

Ser de muitos talentos
e pouco alento.

Cuida de todos
e, às vezes,
esquece de si mesma.

FonteBernadete Freire Campos, escritora e palestrante em Neurociência, Filosofia, PNL e Linguagem.

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