Dor da rejeição no trabalho é insuportável; veja como evitar que se transforme em crise
Você se candidata àquela vaga dos sonhos — aquela para a qual todos ao seu redor juravam que você seria perfeito. Passa por um complexo processo seletivo e, após muita expectativa, recebe um e-mail ou um telefonema de rejeição. Eles gostaram muito do seu currículo, diz o entrevistador. Mas, desta vez, decidiram seguir um caminho diferente que não envolve você.
Comparar o processo de lidar com essa rejeição a uma forma de luto não é um exagero. “O luto vivenciado nesse cenário é frequentemente um luto não reconhecido, o tipo de luto que muitas vezes não é reconhecido pela sociedade”, diz Anita Guru, coach de mentalidade e especialista em psicologia organizacional.
“Podemos invalidar nossos próprios sentimentos, ou até mesmo ouvi-los de outra pessoa”, acrescenta, “mas isso pode perpetuar os sentimentos de vergonha e minimizar as emoções.”
A relação de luto com o trabalho é algo que a consultora de carreira Hannah Salton observa com frequência em suas conversas com clientes. As pessoas atribuem grande parte da autoestima aos empregos, mesmo que não gostem de admitir.
Um exemplo disso pode ser observado quando duas pessoas se conhecem. A pergunta “o que você faz?” quase certamente surge nos primeiros instantes. Muitas vezes, aparece segundos após perguntar o nome da pessoa, criando uma fusão entre trabalho e identidade.
“Nos apresentamos com nossos cargos e frequentemente os usamos como um rótulo, um atalho para definir quem somos”, explica a consultora de carreira Hannah Salton.
É natural começar a imaginar como a vida mudaria se conseguisse o emprego dos seus sonhos — sejam as oportunidades que teria, o respeito que receberia dos outros ou simplesmente o salário maior.
“Podemos nos convencer de que essa oportunidade é a chave para tudo — que conquistá-la finalmente provará que somos bons o suficiente”, diz Hannah. Claro, ela acrescenta, isso não é verdade, mas essa é uma armadilha na qual caímos repetidamente — e pode fazer com que o fracasso pareça muito mais significativo e definitivo do que realmente é.
O que fazer no momento de revés
Então, como podemos nos recuperar de um revés como esse? Conforme Hannah, é importante permitir-se vivenciar essa dor, em vez de tentar “enterrá-la” e seguir em frente rapidamente — embora a sociedade não dê permissão para lamentar perdas na carreira da mesma forma que lamentamos outras perdas.
Um luto ou término de relacionamento é geralmente reconhecido, mas uma promoção perdida normalmente não. Isso pode fazer as pessoas se sentirem tolas por estarem tão chateadas.
Essa perda — e a forma como se reage a ela — pode revelar algo importante. Por que você queria aquele papel? Que história contaria sobre si mesmo se o tivesse conseguido? Essas respostas podem apontar a direção certa.
O momento após uma rejeição ou perda pode ser o período mais desestabilizador, mas também pode ser incrivelmente poderoso. Um momento de pausa para se questionar sobre as coisas que mais valoriza profissionalmente. É o dinheiro? É o status? É fazer um trabalho que eu amo? O que realmente me motiva?
E, como em qualquer forma de luto, a aceitação é importante. Quanto mais se pensa: “Eu deveria ter feito isso, eu poderia ter feito aquilo”, quanto mais ficar remoendo, mais exaustivo a pessoa acredita que isso se torna, e mais tempo permanece nesse estado de desilusão.
Esse emprego não era para mim
Muitas pessoas acham útil dizer a si mesmas que “essa oportunidade não era para mim”. Quando se está no meio de uma crise de rejeição, isso pode parecer um clichê vazio — mas, muitas vezes, o passar do tempo realmente dá uma perspectiva diferente e mais positiva.
“É incrível como muitas pessoas com quem trabalhei refletiram depois que perder o que achavam que queriam, na verdade, acabou sendo melhor para elas”, diz Hannah. “Uma oportunidade melhor surgiu, ou elas perceberam que queriam aquilo pelos motivos errados — para agradar outras pessoas, ou porque o trabalho simplesmente parecia bom no papel.”
Fonte: com informações do Independent.






