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Conexão com a natureza promove o bem-estar em todo o mundo, diz estudo

Quando a vida parece avassaladora, muitas pessoas instintivamente se voltam para a natureza. Uma caminhada no parque. Sentar-se à beira-mar. Assistir ao pôr do sol. Será isso apenas uma sensação agradável, ou há algo mais profundo em jogo?

Diversos estudos têm relacionado o tempo gasto em contato com a natureza a diferentes aspectos da saúde mental. Por exemplo, a imersão em espaços naturais ao ar livre parece aliviar a depressão e influenciar os padrões de atividade cerebral.

No entanto, a maioria das pesquisas sobre essa questão analisou pessoas que vivem em sociedades ocidentais, instruídas, industrializadas, ricas e democráticas. Por isso, um grupo de mais de 100 pesquisadores se propôs a examinar esse fenômeno em escala global e determinar sua consistência em todo o mundo.

Em países tão diversos como Brasil, Japão, Nigéria, Alemanha e Indonésia, os pesquisadores encontraram um padrão claro: pessoas que se sentiam mais conectadas com a natureza também relataram maior bem-estar.

A pesquisa usou dados coletados entre 2020 e 2022 de mais de 38.000 participantes de 75 países com idade média entre 13 e 39 anos, que responderam a questionários sobre o vínculo com a natureza e diversos aspectos do bem-estar.

Os questionários investigaram o senso de propósito de vida das pessoas; seus sentimentos de esperança, satisfação com a vida e otimismo; seu senso de resiliência e sua capacidade de lidar com o estresse que sentiam; bem como se praticavam a atenção plena em seu dia a dia.

Nesta ampla amostra internacional, o vínculo com a natureza se mostrou verdadeiro não apenas em relação à satisfação com a vida, mas também em aspectos mais profundos do florescimento, como ter um senso de direção e propósito.

(foto: Freepik)

Por que a conexão pode ser importante?

Uma das razões pelas quais sentir uma conexão com a natureza pode estar ligado ao bem-estar é que essa conexão promove a atenção plena – a capacidade de estar presente e atento.

“Nos dados coletados no estudo, as pessoas que tinham um senso mais forte de conexão com a natureza tendiam a apresentar um grau mais elevado de atenção plena, que, por sua vez, está fortemente ligado à saúde mental”, explicam os pesquisadores.

Outra possibilidade é que a conexão com a natureza também possa tornar as pessoas mais resilientes. Pessoas que se sentem conectadas a algo maior do que elas mesmas podem ter mais facilidade para lidar com o estresse e a incerteza.

Um senso de pertencimento — mesmo ao mundo natural — pode fornecer uma base psicológica em um mundo caracterizado por fatores estressantes.

Pode haver também um ciclo de retroalimentação: sentir-se melhor pode encorajar as pessoas a se envolverem mais profundamente com a natureza, fortalecendo o vínculo ao longo do tempo.

Implicações para as políticas públicas

Essas descobertas são importantes para além dos debates acadêmicos. Em todo o mundo, os formuladores de políticas estão reconhecendo cada vez mais as ligações entre a saúde humana e a sustentabilidade ambiental.

As ações políticas buscam proteger os ecossistemas da Terra, mas os resultados do recente estudo sugerem que elas também podem beneficiar o bem-estar psicológico das pessoas.

Da mesma forma, projetar cidades com espaços verdes acessíveis, incorporar experiências baseadas na natureza nas escolas e apoiar o engajamento da comunidade com os ambientes locais pode fazer mais do que embelezar os bairros.

Em todas as culturas, línguas e sistemas econômicos, sentir-se conectado com o mundo natural está consistentemente associado a uma vida mais esperançosa, significativa e resiliente.

Em um momento em que os desafios de saúde mental estão aumentando globalmente, reconectar-se com a natureza não é um luxo, mas uma necessidade humana fundamental — e amplamente compartilhada.

Fonte: com informações de Stylianos Syropoulos, Christina Jinhee Capozzoli e Lea Barbett para o The Conversation.

Stylianos Syropoulos: professor assistente de Psicologia na Universidade Estadual do Arizona.

Christina Jinhee Capozzoli: estudante de doutorado em Sustentabilidade na Universidade Estadual do Arizona.

Lea Barbett: pesquisadora em Psicologia Comunitária na FernUniversität em Hagen.

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