Animais migratórios da fauna brasileira serão protegidos por tratado internacional
A 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias (CMS), encerrada ontem no Brasil, adotou um amplo conjunto de medidas para a proteção de 40 animais e seus habitats. Na lista, constam 16 animais da fauna nacional, como a onça-pintada, a lontra-gigante, raias-manta e peixes migratórios da Amazônia.
O encontro reuniu 132 representantes de governos de todo o mundo, na cidade de Campo Grande (MS). Sob um dos principais tratados de conservação da vida selvagem da ONU, foram concedidas proteções a animais da fauna terrestre, aérea e aquática.
A lista inclui, desde espécies de pequenos portes, como o maçarico-de-bico-comprido, até os maiores, como o tubarão-martelo. Das espécies brasileiras, destacam-se também o peixe pintado e a ave caboclinho-do-pantanal.

Vice-presidente de Política Internacional da Wildlife Conservation Society (WCS), Susan Lieberman, destacou em discurso no evento a importância da inclusão dessas espécies na lista.
“Essas inclusões na lista enviam um sinal claro de que a comunidade global reconhece a necessidade urgente de agir em prol das espécies que dependem de paisagens e águas interconectadas que transcendem fronteiras”, afirmou.
A conservação de espécies migratórias requer colaboração internacional especializada para facilitar ou garantir a movimentação desses animais através das fronteiras.
Além de listar as espécies, foram acordadas várias linhas de ação, incluindo a necessidade de desenvolver planos para garantir melhor a movimentação transfronteiriça de peixes de água doce, onças-pintadas e a proteção de tubarões migratórios contra a captura acidental.
As ações para sustentar a biodiversidade e o equilíbrio ecológico incluem proteção e fortalecimento da conectividade, das rotas migratórias, dos corredores ecológicos e dos habitats saudáveis dos animais listados na conferência.
Resultados
Esses planos discutidos na Conferência, conhecidos como “Ações Concertadas”, têm funcionado bem. No encontro, foram apresentados dados dos últimos cinco anos das ações já implantadas, com destaque para quatro espécies de girafas.
O número desses animais aumentou para 140.000 no período, em comparação com os 113.000 existentes antes da implementação das ações. Diversas espécies de golfinhos, tubarões e raias, juntamente com o chimpanzé e o lince-euroasiático, tiveram novas Ações Concertadas aprovadas em seu benefício.
“Protegemos espécies que podem nunca permanecer dentro de nossas fronteiras. Investimos em um patrimônio natural que não nos pertence, mas pelo qual todos somos responsáveis”, afirmou João Paulo Capobianco, secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente.
Espécies fora da lista
Apesar do avanço com as ações já implantadas ou discutidas no encontro, ainda é preciso ampliar a lista para garantir a conservação e proteção de inúmeras outras espécies.
Conforme o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho, ainda há 400 espécies no mundo que fazem migração e não estão na lista.
“Tem sido um esforço gradativo, para cada vez mais, a gente conseguir a proteção dessas espécies. Conseguimos avançar em 10%. Em nenhuma outra conferência houve um número tão representativo”, pontuou.

Confira a lista completa de espécies incluídas como animais migratórios ameaçados:
Mamíferos
1.Acinonyx jubatus (guepardo).
2.Hyaena hyaena (hiena-listrada).
3.Pteronura brasiliensis (ariranha).
Aves (Petréis)
4. Pterodroma baraui (petrel-de-Barau).
5. Pterodroma cervicalis occulta (petrel-de-Vanuatu).
6. Pterodroma hasitata (petrel-de-capuz-negro).
7. Pterodroma madeira (petrel-da-Madeira / Zino’s petrel).
8. Pterodroma magentae (petrel-magenta).
9. Pterodroma incerta (petrel-atlântico).
10. Pseudobulweria macgillivrayi (petrel-de-Fiji).
11. Pseudobulweria aterrima (petrel-das-Mascarenhas).
12. Pseudobulweria becki (petrel-de-Beck).
13. Pterodroma leucoptera (pop. Austrália e Nova Caledônia).
14. Pterodroma brevipes (petrel-de-colar).
15. Pterodroma defilippiana (petrel-de-Masatierra).
16. Pterodroma longirostris (petrel-de-Stejneger).
17. Pterodroma cookii (petrel-de-Cook; pop. Austrália e NZ).
18. Pterodroma pycrofti (petrel-de-Pycroft).
19. Pterodroma axillaris (petrel-de-Chatham).
20. Pterodroma neglecta juana (petrel-de-Kermadec chileno).
21. Pterodroma arminjoniana (grazina-de-Trindade).
22. Pterodroma alba (petrel-fênix).
23. Pterodroma cervicalis cervicalis (petrel-de-pescoço-branco).
24. Pterodroma externa (petrel-de-Juan-Fernández).
25. Pterodroma feae (petrel-de-Cabo-Verde).
26. Pterodroma deserta (petrel-das-Desertas).
27. Pseudobulweria rostrata (petrel-do-Taiti).
Aves (outras)
28. Ardenna carneipes (pardela-de-pata-rosada).
29. Numenius phaeopus hudsonicus (maçarico-de-bico-torto).
30. Limosa haemastica (maçarico-de-bico-virado).
31. Tringa flavipes (maçarico-de-perna-amarela).
32. Bubo scandiacus (coruja-das-neves).
33. Sporophila iberaensis (caboclinho-do-pantanal).
Peixes
34. Alopias pelagicus (tubarão-raposa-pelágico).
35. Alopias superciliosus (tubarão-raposa-de-olho-grande).
36. Alopias vulpinus (tubarão-raposa-comum).
37. Mustelus schmitti (cação-cola-fina).
38. Sphyrna lewini (tubarão-martelo-recortado).
39. Sphyrna mokarran (tubarão-martelo-gigante).
40. Pseudoplatystoma corruscans (pintado).
Fonte: com informações da redação Tribo Quântica.






