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Índios na Amazônia têm cérebro e coração mais saudáveis do mundo

Nas profundezas da Amazônia boliviana, pesquisadores que estudam duas comunidades indígenas — os Tsimané e sua população irmã, os Mosetén — encontraram nos nativos algumas das menores taxas de doenças cardíacas, atrofia cerebral e declínio cognitivo já registradas pela ciência.

Entre os idosos do povo Tsimané, por exemplo, é baixo o número de registros de casos de demência, ficando a taxa de incidência em aproximadamente 1% dos indivíduos acima de 60 anos.

A descoberta, publicada na revista Alzheimer’s & Dementia, faz parte de quase duas décadas de pesquisa sobre os Tsimané e sua população irmã.

Um estudo subsequente da Universidade do Sul da Califórnia (USC) e da Universidade Chapman utilizou tomografias computadorizadas em 1.165 adultos Tsimané e Mosetén, com idades entre 40 e 94 anos.

Os pesquisadores usaram a coleta de dados para descobrir como os cérebros dos indígenas envelhecem em comparação com populações dos EUA e da Europa. A resposta foi que os cérebros dos nativos envelhecem significativamente mais lentamente.

A explicação dos pesquisadores centra-se no que eles chamam de “ponto ideal” — um equilíbrio entre esforço físico e disponibilidade de alimentos do qual a maioria das pessoas em países industrializados se afastou consideravelmente.

Professor assistente da Escola de Gerontologia Leonard Davis da USC e coautor do estudo, Andrei Irimia diz que a vida de nossos ancestrais pré-industriais era marcada pela disponibilidade limitada de alimentos.

“Historicamente, os humanos passavam muito tempo se exercitando por necessidade para encontrar comida, e seus padrões de envelhecimento cerebral refletiam esse estilo de vida”, afirma.

(foto: A. Gillespie / Projeto de Saúde e História de Vida Tsimane)

Tsimané

Com uma população estimada em 16.000 indivíduos, os Tsimané são extremamente ativos não porque se exercitam de forma estruturada, mas porque seu cotidiano exige isso. Eles pescam, caçam, cultivam a terra com ferramentas manuais e coletam alimentos, dando em média cerca de 17.000 passos por dia.

Sua dieta é rica em carboidratos — banana-da-terra, mandioca, arroz e milho compõem aproximadamente 70% do que consomem, com gorduras e proteínas dividindo os 30% restantes.

Não se trata de uma dieta com baixo teor de carboidratos ou rica em proteínas. É, essencialmente, a dieta de pessoas que queimam as calorias que consomem.

O neurocirurgião e repórter médico, Sanjay Gupta, da CNN, que visitou uma aldeia Tsimané em 2018 para sua série “Chasing Life”, observou que eles também dormem cerca de nove horas por noite e praticam o que poderia ser chamado de jejum intermitente — não por escolha, mas por necessidade durante os períodos de escassez.

(foto: E. Schniter / Projeto de Saúde e História de Vida Tsimane)

Mosetén

A pesquisa também incluiu os Mosetén, que compartilham a história ancestral e o estilo de vida de subsistência dos Tsimané, mas têm maior acesso à tecnologia moderna, medicina e infraestrutura.

Seus resultados em relação à saúde cerebral ficaram entre os dos Tsimané e os das populações industrializadas, melhores do que os de americanos e europeus, mas não tão bons quanto os dos Tsimané.

Os pesquisadores descrevem esse gradiente como especialmente revelador porque sugere um continuum em vez de uma dicotomia, e que mesmo uma mudança parcial em direção a um estilo de vida mais ativo e com menor consumo de calorias parece ter efeitos mensuráveis ​​sobre o envelhecimento cerebral.

“Durante nosso passado evolutivo, mais comida e menos esforço para obtê-la resultavam em melhor saúde”, diz Hillard Kaplan, professor de economia da saúde e antropologia da Universidade Chapman, que estuda o povo Tsimané há quase 20 anos. “Com a industrialização, essas características nos levaram a ultrapassar esse limite.”

Os pesquisadores fazem questão de ressaltar que o estilo de vida Tsimané não é simplesmente replicável. Sua longevidade, em termos absolutos, é menor que a dos americanos devido a mortes por traumas, infecções e complicações no parto, riscos inerentes à vida sem um sistema de saúde.

O objetivo da pesquisa não é afirmar que a medicina moderna seja desnecessária, mas sim que os ambientes em que ela está inserida podem estar prejudicando a saúde cerebral que ela busca proteger.

“Esse conjunto ideal de condições para a prevenção de doenças nos leva a considerar se nossos estilos de vida industrializados aumentam o risco de doenças”, afirma Irimia.

Fonte: com informações de Adam Albright-Hanna para a Revista Good.

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