Dormir pouco derruba o hormônio masculino e ameaça a saúde
A privação de sono vai muito além do cansaço do dia seguinte. Estudos mostram que dormir mal afeta diretamente o eixo hormonal masculino, com impacto significativo nos níveis de testosterona, hormônio essencial para a saúde física, mental e sexual dos homens. Mesmo períodos curtos de sono insuficiente já podem provocar alterações mensuráveis no organismo.
Mais do que um hormônio sexual, a testosterona é um marcador global da saúde masculina. Ela influencia a libido, a ereção, a energia, o humor, a força muscular, a saúde óssea e o metabolismo. Quando o sono falha, todo esse sistema entra em desequilíbrio.
Sono e testosterona
A maior parte da produção de testosterona ocorre durante o sono profundo, especialmente nas fases iniciais da noite e no sono REM — marcado por maior atividade cerebral. Quando o indivíduo dorme poucas horas ou tem um sono fragmentado, o corpo não completa os ciclos necessários para essa liberação hormonal adequada.
Um estudo clássico publicado no Jornal da Associação Médica Americana mostrou que homens jovens e saudáveis que dormiram apenas cinco horas por noite durante uma semana tiveram queda de 10% a 15% nos níveis de testosterona.
O estudo evidenciou ainda que houve piora no humor, na vitalidade e na disposição dos voluntários. Ou seja, uma única semana de sono ruim já é suficiente para alterar o equilíbrio hormonal.
Além disso, o sono atua como regulador do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. Quando esse sistema é prejudicado, ocorre redução da liberação do hormônio luteinizante (LH), responsável por estimular os testículos a produzirem testosterona.
Paralelamente, há aumento do cortisol, o hormônio do estresse, e maior inflamação sistêmica — uma combinação particularmente prejudicial à saúde masculina.
Apneia do sono
Homens com apneia obstrutiva do sono frequentemente apresentam níveis cronicamente baixos de testosterona. Roncos intensos, despertares frequentes, sensação de cansaço ao acordar e sonolência diurna não devem ser ignorados.
Nesses casos, o tratamento adequado, como o uso de CPAP — aparelho utilizado para tratar a apneia obstrutiva do sono, ronco e distúrbios respiratórios — ou outras estratégias para melhorar a qualidade do sono, pode restaurar parcialmente a função hormonal e melhorar significativamente a qualidade de vida.
A queda de testosterona associada à apneia não ocorre apenas pelo tempo reduzido de sono, mas também pela fragmentação constante dos ciclos, impedindo o organismo de atingir as fases profundas necessárias para a produção hormonal.
Preservando a testosterona
Cuidar do sono é uma das estratégias mais eficazes — e muitas vezes negligenciadas — para preservar a testosterona naturalmente. Existem algumas medidas simples, mas fundamentais, confira:
- Dormir entre sete e nove horas por noite.
- Manter horários regulares para dormir e acordar.
- Reduzir a exposição à luz azul e às telas antes de dormir.
- Praticar atividade física regular.
Quando há ronco intenso, sono fragmentado ou cansaço excessivo durante o dia, a investigação médica é essencial. Melhorar o sono não é apenas uma questão de bem-estar: é uma decisão direta em favor da saúde hormonal, do desempenho físico e da qualidade de vida a longo prazo.
Dormir bem não é luxo, é tratamento preventivo; o acompanhamento médico com urologista ou endocrinologista é essencial.
Nos casos em que não há melhora significativa apenas com as medidas de tratamento dos distúrbios do sono, o médico saberá indicar o melhor tratamento medicamentoso para recuperar os níveis fisiológicos de testosterona.
Fonte: com informações de Marcos Tobias Machado para o Brazil Health.
Marcos Tobias Machado, CRM/SP 75.225 | RQE 63664, Urologista Doutorado pela Universidade de São Paulo (USP)






