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Excesso de estímulos e raiva nas redes afetam a mente

O ambiente digital tem reforçado um mal-estar difuso com a sobrecarga de estímulos e a economia da atenção que empurram usuários a reagir o tempo todo na internet. O mês de janeiro — época de balanços e expectativas — expõe essa fadiga mental de maneira mais aguda, sendo o momento propício para promover cuidado emocional e ganhar novo fôlego para o ano.

“Não estamos apenas cansados de um ano que terminou. Estamos esgotados de um modo de existir que talvez já não nos sirva mais”, afirma a psicanalista Camila Camaratta.

Nos últimos anos, termos como brain rot se popularizaram para descrever a sensação de deterioração mental associada ao consumo contínuo de conteúdos banais, repetitivos e inflados.

Para Camaratta, não se trata apenas de excesso de informação, mas de perda da capacidade de sustentar a própria vida psíquica. “O sujeito não tolera silêncio, dúvida ou espera. Precisa estar continuamente excitado, interrompido, atravessado por estímulos que o salvem do encontro consigo mesmo”, diz.

A psicanálise há décadas aponta a importância de espaços internos de pausa e elaboração — momentos de vazio criativo que permitem simbolizar experiências e reduzir a ansiedade. Na dinâmica atual, esses intervalos são ocupados por demandas permanentes de resposta, likes e notificações, o que acelera o ciclo de consumo e reação e empobrece o pensamento

Quando a raiva vira engajamento

Nesse cenário, ganha força o rage bait — a produção deliberada de conteúdos para provocar indignação e, com isso, ampliar alcance. “O rage bait não cria raiva, ele a explora”, observa Camaratta.

“É um dispositivo de captura de afetos brutos. Não quer convencer, quer ativar.” O resultado é um engajamento movido por impulsos, no qual o ódio deixa de ser experiência íntima e passa a operar como engrenagem algorítmica.

No Brasil, esse mecanismo encontra terreno fértil. Em Brasil no Espelho, o cientista político Felipe Nunes descreve um país marcado por insegurança persistente, desconfiança e sensação de abandono institucional.

Ao mesmo tempo, valores rígidos de pertencimento — como família, fé e identidade — funcionam como âncoras diante de um mundo percebido como ameaçador.

“Esse arranjo psíquico-social produz sujeitos fatigados, mas também extremamente sensíveis a estímulos que oferecem culpados, certezas rápidas e alívio imediato”, diz a psicanalista. “A raiva digital não é ruído. É um sintoma.”

Forma-se, assim, um circuito fechado: quanto menos se consegue simbolizar, mais se reage; quanto mais se reage, menos se pensa. Entre a fadiga da hiperestimulação e a indústria da raiva, instala-se um modo de funcionamento que intensifica o mal-estar e reduz a capacidade de reflexão.

Resistir ao impulso de reagir

Para Camaratta, o início de ano pode ser oportunidade de revisar hábitos — e não de prometer felicidade permanente. “Talvez ele devesse ser menos um apelo à felicidade e mais um gesto de resistência”, propõe.

Na prática, isso significa recusar a convocação constante à reação, sustentar o desconforto de não responder imediatamente e proteger o pouco de espaço psíquico que ainda resta.

Em um cotidiano regido por notificações, cuidar da saúde mental passa por recuperar tempos de silêncio e atenção contínua — condições básicas para pensar, criar vínculos e colocar limites ao que se consome e compartilha nas redes.

Fonte: com informações da Brazil Health.

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