Mundo se despede de homem que ajudou salvar mais de 2 milhões de bebês
O australiano James Harrison, conhecido como o “homem do braço de ouro”, morreu aos 88 anos. Considerado um dos mais notáveis doadores de sangue do mundo, salvando mais de 2,4 milhões de bebês, ele faleceu enquanto dormia em uma casa de repouso em Nova Gales do Sul, conforme anunciou hoje, a família.
James era portador de um anticorpo raro no sangue, chamado Anti-D, essencial na produção de medicamentos que protegem bebês em gestação contra a doença de Rhesus (ver mais abaixo). A doença não prejudica a mãe, mas pode colocar a vida do bebê em risco.
Nos piores casos, a doença pode resultar em danos cerebrais e morte dos bebês.
Ter a vida dedicada a doações de sangue foi uma ideia que surgiu quando James tinha 14 anos e passou por uma cirurgia delicada no peito. Após depender de transfusões de sangue para sobreviver, ele prometeu retribuir a generosidade dos doadores que salvaram sua vida.
Assim, quando completou 18 anos, apesar de ser avesso às agulhas, o jovem australiano começou a doar seu raro sangue. Ao longo de seis décadas, foram registradas a média de uma doação a cada duas semanas, até se aposentar por conta da idade.
Em 11 de maio de 2018, James fez sua 1.173ª e última doação. Na Austrália, é proibido doar sangue com mais de 81 anos.

Doença de Rhesus
O anticorpo Anti-D é essencial na produção de medicamentos que protegem bebês em gestação contra a doença de Rhesus, também conhecida por doença hemolítica do feto e do recém-nascido.
Essa condição sanguínea potencialmente fatal ocorre quando o tipo sanguíneo da mãe é Rh negativo e o tipo sanguíneo do feto é Rh positivo herdado do pai, ficando incompatível.
Com isso, a mãe produz anticorpos que tentam destruir o agente Rh do feto, considerado “intruso”. O tratamento com a injeção de imunoglobulina Anti-D usa plasma de doadores como James e foi desenvolvido para tratar as mulheres grávidas.
Antes da criação da vacina Anti-D, na década de 1960, um em cada dois bebês com a doença não sobrevivia.
James possibilitou três milhões de vacinas
A Cruz Vermelha Australiana Lifeblood, da qual Harrison era doador pioneiro, estima que com seu sangue foram distribuídas mais de três milhões de doses de Anti-D, desde 1967. Essa medida beneficiou cerca de 45 mil mães e bebês, anualmente, no país.
A filha de Harrison, Tracey Mellowship, disse que o pai estava muito orgulhoso de ter salvado tantas vidas “sem nenhum custo ou dor”. Mellowship e dois netos de Harrison também receberam a imunoglobulina Anti-D.
Cientistas estão trabalhando para reproduzir os anticorpos anti-D em laboratório, usando células de Harrison e de outros doadores. A esperança é de que um dia os pesquisadores possam garantir a disponibilidade global do tratamento.
Em 2005, James Harrison foi reconhecido pelo recorde mundial de maior quantidade de plasma doado, título que manteve até 2022.







