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Uso de peles sintéticas em cerimônias tradicionais ajuda a salvar leopardos da extinção

Um programa liderado pela organização global de conservação de felinos selvagens Panthera está ajudando a manter a vida de milhares de leopardos na Zâmbia. A espécie está se recuperando, em parte graças às comunidades locais que trocaram peles verdadeiras dos animais por sintéticas em cerimônias tradicionais. 

Os leopardos são reverenciados por grupos culturais e religiosos que usam suas valiosas peles como vestimentas cerimoniais. A exemplo do festival Kuomboka, que marca o início da época das cheias, geralmente entre o final de março e o início de abril.

Durante este tradicional evento anual, 200 remadores, vestidos principalmente de peles de leopardo, transportam o rei do povo Lozi, o Litunga, numa barcaça. A migração ocorre da residência oficial até o Palácio de Inverno.

(foto: Bwana Jimmy / Africa View Facts)

Historicamente, o uso dessas peles reais causava um grande impacto na conservação dos grandes felinos na Zâmbia. A procura por essas vestimentas vistosas foi um dos fatores que impulsionaram a caça furtiva de leopardos.

Mas a situação mudou após o programa “Peles pela Vida” liderado pela organização Panthera em parceria com a realeza. Agora, durante o festival, mais de 90% dos remadores usam réplicas ecológicas feitas de peles sintéticas de altíssima qualidade, chamadas de Heritage Furs.

Essa mudança foi amplamente aceita pela comunidade e ajudou a salvar centenas de leopardos na região, permitindo que a cultura e a natureza coexistam em harmonia.

(foto: Gareth Whittington-Jones / Panthera)

Considerado um felino de grande porte, o leopardo é um dos animais mais perseguidos do mundo, sendo extinto ou quase extinto em 12 países. A Panthera estima que, em 2013, com menos de 5.000 leopardos na África do Sul, pelo menos 800 deles eram mortos anualmente por causa de suas peles.

Integrantes da organização documentaram na época que até 15.000 peles de leopardo ilegais eram usadas em encontros religiosos no sul da África, acreditando-se que aqueles que as vestiam assumiam os atributos do leopardo.

Por meio do projeto de conservação, a organização forneceu mais de 22.000 peles artificiais. Estima-se que mais de 7.500 felinos selvagens foram salvos entre 2013 e 2025 por meio do programa.

Fonte: Com informações da Panthera.

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