Pesquisadores definem alicerces que classificam o bem-estar mental
Bem-estar mental, uma expressão composta muito falada, mas com conceito vago de definição. Para colocar fim ao problema, especialistas globais de 11 disciplinas se uniram para elaborar a primeira classificação internacional consensual do seu significado — e seis fatores se destacaram.
No estudo, 122 acadêmicos de todo o mundo foram entrevistados sobre os fatores que consideravam essenciais para uma saúde mental positiva. Havia psiquiatras e psicólogos, mas também especialistas em áreas tão diversas quanto economia, filosofia, sociologia e teologia.
Dezenove fatores foram concordados por pelo menos 75% do grupo, sendo seis deles quase unânimes por pelo menos 90% dos entrevistados. Os principais fatores em concordância maioral e necessários para uma boa saúde mental são:
- Sentir que a vida tem significado e propósito.
- Satisfação com a vida.
- Autoaceitação.
- Relações estreitas com outras pessoas.
- Ter autonomia sobre as próprias escolhas e autoexpressão.
- Frequentemente me sinto feliz, positivo e alegre.
“Durante muito tempo, o bem-estar mental foi definido de maneiras diferentes em pesquisas, na área da saúde e no governo, tornando quase impossível comparar evidências ou elaborar políticas eficazes”, diz o primeiro autor, Matthew Iasiello, pesquisador premiado na área de saúde mental e bem-estar e afiliado à Universidade de Adelaide, na Austrália.
“Imagine se existissem 150 maneiras diferentes de medir a pressão arterial — os resultados seriam insignificantes. É por isso que é importante chegar a um consenso sobre o que é saúde mental positiva e o que não é”, destaca o pesquisador.
As 19 dimensões da saúde mental positiva incluem: aceitação; autonomia; segurança; felicidade; diversão; otimismo; satisfação com a vida; vitalidade; pertencimento; calma; significado e propósito; autoaceitação; autocongruência; realização; desenvolvimento; conexão; competência; atividades e funcionamento; e engajamento.
Dinheiro e boa saúde física
Outros fatores que normalmente são associados à boa saúde mental, como conforto financeiro ou boa saúde física, foram considerados impulsionadores do bem-estar, e não determinantes dele.
Distinguir entre fatores que impulsionam a boa saúde mental e fatores que são consequências dela foi um desafio persistente, observado pelos pesquisadores, que afirmaram ser “uma tensão também refletida no discurso acadêmico”.
O estudo também esclareceu que é possível vivenciar períodos de bem-estar mental mesmo convivendo com uma doença mental. “Saúde mental positiva não significa se sentir bem o tempo todo”, diz Iasiello.
De acordo com ele, trata-se de ter uma combinação de bem-estar emocional, funcionamento psicológico e conexão social que ajude a pessoa a viver uma vida significativa e administrável — mesmo quando as coisas podem ser difíceis.
Dessa forma, a saúde mental positiva não se resume a se sentir bem o tempo todo, mas sim a ter a combinação certa de fatores para lidar com as dificuldades, viver bem e ter uma experiência de vida significativa.
“Quando as pessoas conseguem reconhecer melhor quais aspectos do seu bem-estar são fortes e quais podem precisar de apoio, elas têm uma noção mais clara de onde concentrar seus esforços”, comenta o autor do estudo.
Base para futuros debates
Os autores escrevem em seu artigo que “antecipam um debate saudável sobre as várias dimensões incluídas nesta taxonomia preliminar”, sugerindo que o estudo não seja algo definitivo, mas sirva como base para discussões futuras, bem como um guia para organizações que buscam promover o bem-estar.
O estudo foi conduzido pela Universidade de Adelaide e pela Be Well Co, organização que oferece serviços para promover o bem-estar e a resiliência no ambiente de trabalho. O artigo foi publicado na revista Nature Mental Health.
Fonte: com informações de Laura Simmons e Katy Evans para o IFLScience.






