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Saúde mental: semelhante atrai semelhante no relacionamento

Muitos livros e estudos têm se concentrado em como os humanos escolhem os seus parceiros e se apaixonam. Uma nova linha de pesquisa se concentra em pessoas que formam relacionamentos em torno de desafios compartilhados de saúde mental semelhante.

Utilizando dados do sistema nacional de saúde de mais de seis milhões de casais, uma equipe de pesquisadores analisou o grau de compartilhamento de transtornos psiquiátricos entre os pares.

Foram examinados dados de cinco milhões de casais em Taiwan, 571.534 casais na Dinamarca e 707.263 casais na Suécia.

A análise envolveu nove diagnósticos, incluindo depressão, ansiedade, transtorno por uso de substâncias, transtorno bipolar, anorexia nervosa, TDAH, autismo, transtorno obsessivo-compulsivo e esquizofrenia.

O resultado evidencia que as pessoas com diagnóstico de transtorno psiquiátrico tinham maior probabilidade de se casar com alguém com o mesmo transtorno ou um transtorno semelhante do que com alguém sem diagnóstico.

Embora a descoberta seja robusta, os autores reconhecem que os resultados são puramente observacionais e que existem algumas limitações na interpretação dos dados.

Uma das questões é que não foi registrado o momento do início dos relacionamentos e dos diagnósticos. Isso significa que o diagnóstico pode ter ocorrido após o início do relacionamento — e, portanto, pode não ser resultado de uma escolha consciente.

Entretanto, existem diversas teorias psicológicas que podem ajudar a explicar esse fenômeno entre os semelhantes que formam pares românticos. Vamos entender algumas delas.

Teoria do apego

A teoria do apego examina como os laços iniciais se formam entre bebês e seus cuidadores primários. A dinâmica desse vínculo molda o que consideramos atraente em um parceiro à medida que envelhecemos. Um estudo de 2023 descobriu que o apego seguro está associado a maior bem-estar e relacionamentos românticos mais estáveis.

Dessa forma, pessoas com certos transtornos, como ansiedade e depressão, podem desenvolver estilos de apego ansioso. Um exemplo citado foi o de que medo ou questões de abandono podem se manifestar como uma necessidade maior de reafirmação, como o envio de mensagens de texto mais frequentes para o parceiro.

Quando a outra pessoa compartilha desafios semelhantes de saúde mental, é provável que seu estilo de apego também seja ansioso. As mensagens de texto, portanto, não seriam um fator negativo, mas sim uma forma compartilhada de lidar com o estresse do relacionamento.

(foto: Benzoix / Freepik)

Identidade social

A teoria da identidade social explica como os indivíduos adquirem um senso de pertencimento e autoestima por meio de sua participação em grupos sociais.

Os relacionamentos que se desenvolvem a partir de experiências compartilhadas se baseiam nesses entendimentos comuns para construir validação e conexão.

Um artigo de 2024 analisou a capacidade dos indivíduos de modificar seu comportamento para se adequarem às normas do grupo. No entanto, quando as necessidades psiquiátricas são semelhantes, há menos dificuldade em estabelecer experiências em comum e um significado compartilhado.

Acasalamento seletivo

A escolha de parceiros por afinidade baseia-se na premissa simples de que as pessoas escolhem parceiros semelhantes a si mesmas. Tradicionalmente, fatores como religião, semelhanças culturais, nível de escolaridade, altura e personalidade são considerados.

Pessoas com transtornos psiquiátricos específicos, como transtorno obsessivo-compulsivo ou transtorno bipolar, podem sentir-se mais seguras ao encontrar parceiros que compartilhem experiências semelhantes.

Um estudo recente sugere que a escolha de parceiros por afinidade é tão prevalente em transtornos mentais que sua transmissão pode ser rastreada por meio do histórico familiar.

À medida que as pessoas seguem o impulso de encontrar um bom parceiro, as conexões muitas vezes se fortalecem por meio de valores compartilhados e experiências em comum.

Indivíduos que enfrentam um transtorno mental específico podem encontrar conforto e compreensão em um parceiro que não apenas demonstra empatia, mas também convive com a mesma condição.

Fonte: com informações de Mark Wales para a revista Good.

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