Quatro tipos de amizades que devem ser valorizadas
Muitas pessoas são gratas por amigos que enriquecem as suas vidas, mas não encontram vocabulário para explicar o porquê. O fato é que nem todos os amigos são iguais, mas quatro tipos são fundamentais para agregar valor: o incentivador, o consultor, o inquisitivo e o leitor.
O que esses quatro tipos têm em comum? Eles conhecem bem e valorizam as outras pessoas do jeito que realmente são, com todas as suas peculiaridades, pontos fortes, pontos fracos, desejos e medos.
Professor de psicologia clínica na Universidade de Indiana, Joel Wong concentra suas pesquisas em psicologia positiva — especialmente em intervenções e práticas de gratidão e na psicologia do encorajamento.
Com amplo conhecimento no tema, ele explicará cada um dos quatro tipos especiais de amigos. Cabe lembrar que, apesar da palavra “amigo”, esses tipos também se aplicam igualmente bem a colegas de trabalho, familiares ou parceiros.
Encorajador
O incentivador é aquele que acredita no amigo mais do que ele mesmo. Mas não só isso, sabe como comunicar essa crença de maneiras que expandem sua percepção do que é possível.
A credibilidade do incentivador é importante. Ele geralmente possui conhecimento, experiência ou habilidades relevantes, então seu incentivo parece fundamentado em vez de vazio.
Em sua pesquisa sobre encorajamento, Joel e seus colegas identificaram um caminho fundamental pelo qual o encorajamento leva a mudanças positivas a longo prazo.
Os melhores incentivadores são aqueles que sabem como incutir novas perspectivas, transformando a maneira como a outra pessoa se vê ou como enxerga o mundo.
Como exemplo, o caso de alguém que nunca tenha se imaginado como professor. Então, alguém diz: você tem talento para explicar ideias complexas, você deveria dar aulas.
“Essa percepção expande sua autoimagem. Esse é o encorajador em sua melhor forma”, explica o especialista.
(foto: Freepik)

Alfaiate
O amigo alfaiate é aquele que investe tempo e esforço para realmente ver a outra pessoa bem e demonstra isso de maneiras significativas.
Joel chama esse amigo de alfaiate porque ele individualiza suas demonstrações de carinho. O alfaiate dedica tempo para observar e perguntar o que a outra pessoa gosta e não gosta, lembra do seu aniversário e personaliza os presentes com base nesse conhecimento.
“Talvez você tenha mencionado casualmente que gosta de cachorros, especialmente poodles. O alfaiate é aquele amigo que se lembra do que você disse e lhe compra uma estatueta de poodle de presente de aniversário”, explica.
Inquiridor
Muitas pessoas têm os aspectos ocultos da sua identidade ou talvez partes da vida que raramente compartilham com os outros. O inquisidor é aquele amigo que está interessado em conhecer por completo, inclusive, as partes menos visíveis da sua vida.
O inquisidor faz perguntas que outros evitam por medo de ofender. “Mas o inquisidor assume o risco de perguntar, porque se importa com o outro e realmente quer conhecê-lo”, destaca o professor Joel.
O entrevistador faz perguntas sobre as crenças religiosas ou espirituais (ou a falta delas) do amigo, não para convencê-lo de que está errado, mas porque sinceramente quer entender o que o motiva.
Perguntas como: “Como é para você ser um homem negro em uma organização predominantemente branca?” Ele está curioso sobre sua trajetória profissional.
Quer saber como o outro chegou ao seu emprego atual, o que gosta e não gosta nele e se sente que seu trabalho é uma vocação ou mais uma obrigação.
“Mas, acima de tudo, eles fazem essas perguntas de maneiras que demonstram que valorizam o amigo”, pontua o professor.
Leitor
Muitas pessoas já se sentiram excluídas de uma conversa. Todos os outros estão falando sobre um assunto com o qual elas não se identificam.
O leitor é aquele amigo que percebe o silêncio e se pergunta se o outro está se sentindo sozinho — e então encontra maneiras de incluí-lo na conversa ou fazê-lo se sentir parte dela.
“Os leitores não leem mentes, não sabem necessariamente o que o outro está sentindo. Mas eles conseguem ler no sentido de que percebem as mudanças sutis”, diz Joel.
Eles notam que a energia do amigo mudou, veem a carranca no seu rosto ou observam iluminar de repente. Apesar de não saber o que isso significa, se importam o suficiente para perguntar.
Raridade
Importante enfatizar o quão raros e preciosos são esses quatro tipos de amigos. Para quem não tem ninguém assim na vida, ao invés de esperar aparecer, pode se tornar um deles. Vale lembrar:
- Qualquer amigo pode optar por encorajar.
- Qualquer amigo pode adaptar seu cuidado.
- Qualquer amigo pode perguntar com curiosidade.
- Qualquer amigo pode aprender a interpretar os outros com mais atenção.
Mas se, após ler este texto, perceber que tem pelo menos um desses quatro tipos de amigos, a dica é para ser mais atencioso na forma como os agradece. “Mencione as qualidades que eles trazem e diga-lhes por que são importantes para você”, conclui o professor Joel.
Fonte: com informações de Joel Wong para o Psychology Today.






