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Therian: fenômeno viral envolve jovens que se identificam com animais

O fenômeno “therian” voltou a ganhar força entre a nova geração, com adolescentes e jovens que afirmam se identificar com animais: usam máscaras, latem, uivam e até se movimentam com os quatro membros no chão.

Mais comum nos Estados Unidos, o movimento vem se espalhando pela América Latina. A Argentina é o país onde a tendência ganhou mais destaque nas redes sociais nos últimos meses. No Brasil, grupos e comunidades vêm se formando há pelo menos dois anos.

O crescimento repentino dos therians já atrai a atenção de influenciadores e veículos de comunicação, provocando reações que variam do riso à perplexidade.

E, à medida que o movimento ganha força, os psicólogos estão entrando em cena para analisar o fenômeno e seu lugar no discurso público.

(foto: Rodrigo Abd / AP News)

Encontro

No domingo passado, uma praça de Buenos Aires se transformou em um refúgio improvisado para um grupo incomum de adolescentes. Sofía, usando uma máscara de beagle que parecia real, corria pela grama de quatro.

Perto dali, Aguara, de 15 anos, saltava no ar, completando uma pista de obstáculos enquanto imitava os movimentos precisos de um cão da raça belga.

Outros, vestidos de gatos e raposas, empoleiravam-se nos galhos das árvores, mantendo distância dos curiosos. Este foi o mais recente encontro de “terianos” no país vizinho.

A tendência tomou conta das redes sociais argentinas nos últimos meses, ganhando força em plataformas como o TikTok, onde a hashtag #therian ultrapassou 2 milhões de publicações.

(foto: Rodrigo Abd / AP News)

Casos

Aguara, que afirma se identificar como uma pastora belga malinois e calcula sua idade como equivalente a dois anos e dois meses em anos caninos, diz ser muito parecida com qualquer outra adolescente.

“Acordo como uma pessoa normal e vivo minha vida como uma pessoa normal”, disse ela. “Simplesmente tenho momentos em que gosto de ser um cachorro.”

Como líder do que ela chama de seu “grupo”, Aguara — nome com o qual se identifica — possui mais de 125 mil seguidores no TikTok e organiza encontros regulares na capital argentina.

Aru, uma jovem de 16 anos que usava uma máscara de foca no encontro no parque, disse que se considera parte do ramo “otherpaw” dos terianos: indivíduos que usam máscaras e caudas ou se movem de quatro apenas por diversão.

“Não se trata necessariamente de se identificar como um animal”, disse ela. Ela acredita que a tendência teriana ganhou força na Argentina devido ao ambiente “relativamente livre” do país.

Para outros jovens argentinos, o movimento proporcionou uma comunidade essencial onde eles podem se sentir verdadeiramente aceitos.

(foto: Rodrigo Abd / AP News)

Os pais devem se preocupar?

Débora Pedace, psicóloga e diretora do Centro Terapêutico Integral de Buenos Aires, reconheceu que o fenômeno gera uma mistura complexa de confusão, riso e até raiva. “Do ponto de vista psicológico, trata-se de uma identificação simbólica com um animal”, disse Pedace.

“Isso só se torna patológico ou alarmante quando se transforma em uma crença profundamente enraizada e a pessoa assume completamente o papel do animal, podendo levar à automutilação ou a ferir outras pessoas.”

Fonte: com informações de Almudena Calatrava para a Associated Press.

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