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Como praticar a meditação da bondade amorosa

Uma resolução popular de Ano Novo é começar a meditar para desfrutar de uma vida mais leve, serena e equilibrada nos meses que vêm pela frente. Existem muitos tipos de meditação, que de alguma forma ou de outra, trazem benefícios à saúde mental e física.

Algumas práticas de mindfulness pedem aos praticantes que simplesmente observem os pensamentos, sensações ou emoções que surgirem, sem reagir imediatamente a eles. Essas meditações cultivam o foco, ao mesmo tempo que nos dão mais liberdade na forma como respondemos aos acontecimentos da vida.

Outras meditações pedem aos praticantes que se concentrem deliberadamente em uma emoção — por exemplo, gratidão ou amor — para aprofundar a experiência dessa emoção. O objetivo desse tipo de meditação é trazer mais gratidão ou mais amor para a vida. Quanto mais as pessoas meditam sobre o amor, mais fácil se torna vivenciar essa emoção mesmo quando não estão meditando.

Uma dessas meditações é conhecida como Metta, ou bondade amorosa. Conforme o professor de mindfulness, meditação e yoga, Jeremy David Engels, a bondade amorosa é o tipo de amor praticado pelos budistas em todo o mundo.

No entanto, não é preciso ser budista para praticar a Metta. Esta prática é para qualquer pessoa que queira viver com mais amor. A benevolência, o sentimento cultivado nesta meditação, é muito diferente do amor romântico.

Na antiga língua páli, a palavra “metta” tem dois significados principais: o primeiro é “gentil”, no sentido de uma chuva suave de primavera que cai sobre as plantas jovens, nutrindo-as sem discriminação. O segundo é “amigo”.

Metta é amor ilimitado e sem fronteiras; é presença gentil e amizade universal. Essa prática visa desenvolver a capacidade das pessoas de estarem presentes para si mesmas e para os outros, sem falhas.

“Metta não é recíproca nem condicional. Não discrimina entre nós e eles, ricos e pobres, instruídos e não instruídos, populares e impopulares, dignos e indignos. Praticar metta é dar o que descrevo em minha pesquisa como ‘o presente mais raro e precioso’, um presente de amor oferecido sem qualquer expectativa de retribuição”, diz Engels.

(foto: Drazen Zigic / Freepik)

Instruções

No século V, um monge do Sri Lanka, Buddhaghosa, compôs um influente texto de meditação chamado “Visuddhimagga”, ou “O Caminho da Purificação”, fornecendo instruções sobre como praticar a meditação da bondade amorosa.

Os professores contemporâneos tendem a adaptar e modificar suas instruções. A prática da bondade amorosa muitas vezes envolve recitar silenciosamente para si várias frases tradicionais destinadas a evocar Metta, e visualizar os seres que receberão essa bondade amorosa.

Tradicionalmente, a prática começa enviando amor e bondade a si. É comum, durante essa meditação, dizer:

  • Que eu seja preenchido(a) por amor e bondade.
  • Que eu esteja a salvo de perigos internos e externos.
  • Que eu tenha saúde no corpo e na mente.
  • Que eu esteja em paz e feliz.

Depois de proferir essas frases e sentir as emoções que elas evocam, é comum direcionar essa bondade amorosa a alguém — ou algo — diferente: pode ser uma pessoa amada, um amigo querido, um animal de estimação, um animal, uma árvore favorita. As frases se tornam:

  • Que você seja preenchido(a) por amor e bondade.
  • Que você esteja a salvo de perigos internos e externos.
  • Que você tenha saúde no corpo e na mente.
  • Que você tenha paz e felicidade.

Em seguida, essa bondade amorosa é direcionada a um círculo mais amplo de amigos e entes queridos: “Que eles…”

O passo final é expandir gradualmente o círculo de votos de felicidades: incluindo as pessoas da comunidade e cidade, pessoas de todos os lugares, animais e todos os seres vivos, e toda a Terra. Esta última rodada de recitação começa: “Que possamos…”

Dessa forma, a prática da meditação da bondade amorosa abre o coração cada vez mais para a vida, começando pelo próprio meditador.

Democracia consciente

Pesquisas clínicas demonstram que a meditação da bondade amorosa tem um efeito positivo na saúde mental. Isso inclui a redução da ansiedade e da depressão, o aumento da satisfação com a vida, mais autoaceitação e menos autocrítica.

Há também evidências de que a meditação da bondade amorosa aumenta a sensação de conexão com outras pessoas. Contudo, os benefícios desta meditação não se restringem ao indivíduo.

Em sua pesquisa, Jeremy demonstrou que ela também traz enormes benefícios para a sociedade como um todo. De fato, a prática da democracia exige que as pessoas trabalhem em conjunto com amigos, desconhecidos e até mesmo com supostos “oponentes”.

“Isso se torna difícil quando nossos corações estão repletos de ódio e ressentimento. Cada vez que os praticantes de meditação abrem seus corações na meditação Metta, eles se preparam para viver vidas mais amorosas: para si mesmos e para todos os seres vivos.”

Fonte: com informações de Jeremy David Engels para o The Conversation.

Jeremy David Engels, PhD, é professor de Artes Liberais, Comunicação e Ética na Universidade Estadual da Pensilvânia; além de professor de mindfulness, meditação e yoga.

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