5 passos para aliviar a fadiga mental de fim de ano
A reta final do ano costuma acelerar compromissos e emoções, e muita gente sente o peso na cabeça: cansaço, lapsos de memória e dificuldade de decidir. O excesso de tarefas e de estímulos reduz a eficiência das conexões neurais e desgasta a capacidade de foco ao longo do dia.
Para o neurocirurgião Marcelo Valadares, da Unicamp, a sobrecarga cognitiva é real e merece atenção. “O funcionamento do cérebro pode ser afetado a longo prazo”, afirma.
Um estudo de 2023 publicado na revista Frontiers in Psychiatry aponta que o acúmulo de glutamato — molécula envolvida na comunicação entre neurônios — ocorre na região frontal do cérebro, envolvida em planejamento e autocontrole, contribuindo para a fadiga mental.
O impacto não fica só no desempenho mental. A pressão constante pode piorar o humor, aumentar a ansiedade e se refletir nas relações pessoais e no trabalho. “Não é apenas cansaço passageiro; quando se prolonga, interfere na atenção e memória”, diz Valadares.
Na prática, pequenas mudanças de rotina ajudam a frear o esgotamento e recuperar clareza mental. O especialista vai passar algumas dicas para atravessar o período com menos desgaste. Antes, vamos saber o que acontece com o cérebro.
Uma tarefa por vez
O cérebro rende melhor quando executa uma tarefa por vez. Alternar foco a todo momento exige energia extra, o que drena recursos de atenção. Soma-se a isso o bombardeio de notificações e o “rolar infinito” do celular, que mantém o sistema de alerta ligado por mais tempo do que o necessário.
Há também um componente biológico do descanso. “Durante o sono profundo, ocorre a consolidação da memória e a reorganização de circuitos neurais”, explica Valadares. Quando o sono falha, o raciocínio fica mais lento e a sensação de cansaço se prolonga no dia seguinte.
Cinco atitudes que aliviam a sobrecarga
Para reduzir a fadiga e fortalecer a resiliência do cérebro, o neurocirurgião sugere:
- Desacelere e faça uma coisa de cada vez: defina metas realistas, diga não ao excesso e inclua pausas curtas para “resetar” o foco.
- Corte estímulos em excesso: limite notificações, horários de tela e o uso do celular em momentos de descanso.
- Mexa o corpo e relaxe: exercício regular melhora a circulação e a “plasticidade” do cérebro; meditação e alongamentos reduzem o estado de alerta.
- Alimente-se para sustentar energia: priorize carboidratos complexos, proteínas de qualidade, gorduras boas, vitaminas e minerais ao longo do dia.
- Priorize o sono: mantenha horários consistentes e um ritual noturno. “Respeite os sinais de exaustão”, reforça o médico.
Esses ajustes simples ajudam a recuperar atenção, processar melhor informações e tomar decisões com mais clareza. Organizar o que é essencial e reduzir o barulho ao redor já faz diferença perceptível no dia a dia.
Se a fadiga mental for intensa ou persistir mesmo após um período estressante, é recomendável buscar avaliação profissional. Com orientação adequada, é possível restabelecer o “fôlego” do cérebro e evitar impactos prolongados na saúde.
Fonte: com informações da Brazil Health.






