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Mulher que “dá conta de tudo” pode pagar um preço silencioso

Muitas mulheres vivem múltiplos papéis: trabalham fora, administram a casa, acompanham filhos, cuidam de pais, mantêm relacionamentos e cumprem outras tarefas a mais. O resultado disso é que, quando a sobrecarga se torna constante, o corpo responde.

A médica ginecologista e obstetra, Ana Paula Horovitz, diz que em seu consultório escuta histórias muito parecidas de pacientes. “Chegam dizendo que estão cansadas, mas o que descrevem é exaustão crônica”, relata. 

Conforme a médica, o corpo feminino é extraordinariamente adaptável, mas não é ilimitado. A rotina intensa afeta a saúde hormonal, emocional e cardiovascular. O problema é que quase ninguém fala sobre isso com a seriedade que merece.

Estresse crônico

Existe um tipo de estresse que move, organiza e impulsiona o ser humano. Esse é o estresse funcional, pontual, fisiológico. Ele ativa o cortisol por um período curto e depois o organismo retorna ao equilíbrio.

Mas o estresse funcional não é o mesmo que estresse crônico. “O que vejo hoje é diferente. É um estado de alerta permanente. Mulheres que acordam já cansadas, dormem mal, comem de forma desregulada e vivem sob a sensação de que nunca podem relaxar”, comenta Ana.

Quando o cortisol permanece elevado por tempo prolongado, surgem alterações no sono, maior tendência ao ganho de peso abdominal, resistência à insulina e aumento do risco cardiovascular. “Não é exagero dizer que o coração também sente essa pressão invisível.”

Sobrecarga emocional

O fato é que hormônios não ignoram a sobrecarga emocional. Além disso, o eixo hormonal feminino é extremamente sensível ao estresse. Por isso, ciclos menstruais podem ficar irregulares, a TPM se intensificar, a libido diminuir e os sintomas da menopausa tornarem-se mais intensos.

De acordo com Ana, muitas pacientes acreditam que “é só fase” ou “é da idade”. “Em parte pode ser. Mas frequentemente é o reflexo de um organismo tentando se adaptar a um estado constante de exaustão”, afirma.

O corpo não separa sobrecarga emocional de sobrecarga física. Para ele, é tudo estresse.

(foto: Freepik)

Culpa que adoece

Existe também um componente emocional poderoso: a culpa. Culpa por trabalhar demais, culpa por trabalhar de menos, culpa por não estar presente o suficiente, culpa por querer tempo para si.

A chamada síndrome da supermulher não é um diagnóstico formal, mas descreve um padrão real: mulheres que acreditam que precisam dar conta de tudo sem demonstrar fragilidade.

O resultado disso pode ser ansiedade crônica, irritabilidade, sensação de inadequação e, em casos mais graves, burnout.

Corpo no limite

Como profissional da área de saúde, Ana percebe um padrão preocupante: muitas mulheres só marcam consulta quando o corpo “para”. Ou seja, quando há uma hemorragia importante, uma crise de ansiedade, uma alteração grave nos exames.

Antes disso, o autocuidado é sempre adiado. A sociedade celebra a mulher forte “mas raramente pergunta como ela está de verdade”.

Entretanto, para Ana, cuidar da saúde feminina não é apenas tratar exames ou prescrever hormônios. É reconhecer que existe um preço biológico para a sobrecarga contínua.

“Importante exaltar a força feminina, mas também legitimar o direito ao descanso, ao limite e ao cuidado. Porque nenhuma mulher foi feita para aguentar tudo, e o corpo sempre encontra uma forma de lembrar disso”, Ana Horovitz, ginecologista e obstetra. 

Fonte: com informações de Ana Paula Horovitz para a Brazil Health.

Ana Paula Horovitz, CRM/SP 111739 | RQE 130806: Ginecologista e Obstetra; Membro da Brazil Health.

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