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Tartarugas gigantes voltam à ilha de Galápagos, após 150 anos extintas

Uma população de 158 tartarugas-gigantes criadas em cativeiro foi reintroduzida ontem na Ilha Floreana, localizada no arquipélago de Galápagos, no Equador. O retorno ao seu habitat ancestral é um marco histórico para a espécie que, há pelo menos 150 anos, havia sido extinta.

A soltura foi feita por pesquisadores e guardas florestais que percorreram cerca de sete quilômetros em terrenos vulcânicos e áreas de difícil acesso para levar as tartarugas até o local apropriado.

A escolha do terreno foi feita para assegurar que os animais venham a se adaptar corretamente ao ambiente natural.

Cada tartaruga passou por uma quarentena prolongada antes de ser libertada à natureza. Todas também receberam microchips para identificação e monitoramento. (foto: Galápagos Conservancy)

Seleção genética

As tartarugas reintroduzidas na ilha foram criadas em cativeiro, pertencendo a uma espécie híbrida com alta carga genética das extintas tartarugas nativas de Floreana, a Chelonoidis niger.

Isso foi possível graças ao processo de seleção genética. Em 2008, os pesquisadores descobriram que tartarugas na ilha Isabela, também em Galápagos, carregam entre 40% e 80% do DNA da tartaruga de Floreana.

A hipótese é de que, em um passado remoto, marinheiros e pescadores da região tenham transportado tartarugas nativas de Floreana até a ilha Isabela, o que resultou no cruzamento das espécies.

Então, a partir de 2017, iniciaram os trabalhos genéticos selecionando os indivíduos com maior carga genética da espécie de Floreana, visando restaurar a linhagem nativa por meio de cruzamento reverso.

As ilhas do arquipélago de Galápagos inspiraram a teoria da evolução das espécies de Charles Darwin; o naturalista inglês passou cerca de cinco semanas pesquisando os animais dessa flora e fauna únicas no mundo.

Floreana é uma das 13 ilhas principais de origem vulcânica que compõem o arquipélago de Galápagos (foto: Galápagos Conservancy)

Extinção

As tartarugas nativas de Floreana desapareceram da ilha por volta das décadas de 1840 e 1850, devido à superexploração como fonte de alimento por marinheiros e colonizadores.

Outro fator que colaborou com a extinção foi a introdução de espécies invasoras na ilha: cabras, porcos, cães, gatos, burros e roedores. Esses animais são devastadores para muitas espécies de Galápagos, predando ovos e filhotes e destruindo habitats.

Agora, a reintrodução das tartarugas-gigantes foi possível graças a uma erradicação de espécies invasoras realizada no final de 2023, que eliminou a maioria dos ratos e gatos selvagens da ilha.

Além de ajudar na preservação das tartarugas chegadas recentemente, a erradicação trouxe resultados impressionantes envolvendo outras espécies, inclusive de aves nativas.

Como exemplo, houve a recuperação do pequeno tentilhão-terrestre. Durante a erradicação dos predadores, pássaros dessa espécie foram mantidos em aviários de segurança. Eles foram soltos à natureza em fevereiro de 2024, conforme mostra a imagem abaixo. 

(foto: Rashid Cruz / Galapagos Conservation)

No início de 2025, houve também a redescoberta inesperada do ralídeo-de-galápagos (foto abaixo). A ave rara não havia sido registrada na ilha desde a primeira visita de Charles Darwin a Galápagos em 1835, sendo considerada extinta localmente há quase 190 anos.

(foto: Michael Dvorak / Galapagos Conservation)

Apoio comunitário

A comunidade de Floreana, com aproximadamente 160 residentes, está profundamente envolvida com a conservação da ilha, desde a participação em oficinas de planejamento até o apoio ao monitoramento ecológico de longo prazo.

“Durante gerações, Floreana existiu sem as suas tartarugas gigantes. O seu regresso demonstra o que é possível quando uma comunidade lidera e muitos parceiros se unem com um propósito comum”, disse Verónica Mora, representante da comunidade.

O Projeto de Restauração Ecológica de Floreana é liderado pelo Ministério do Meio Ambiente e Minas do Equador, por meio da Direção do Parque Nacional de Galápagos (DPNG), e executado pela Fundação Charles Darwin, pela Island Conservation e pela Fundación Jocotoco, com o apoio da Galápagos Conservancy na reintrodução da tartaruga-gigante. 

Fonte: com informações do Galapagos Conservation Trust.

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