Livro mais misterioso do mundo pode ser uma cifra
Um novo estudo revela que uma cifra singular, que utiliza cartas de baralho e dados para converter idiomas em glifos, produz textos incrivelmente semelhantes aos glifos do Manuscrito Voynich. A descoberta sugere que uma cifra equivalente poderia ter sido usada para criar o misterioso manuscrito medieval.
A nova cifra — chamada “Naibbe”, nome de um jogo de cartas italiano do século XIV — não decifra diretamente o manuscrito Voynich, mas oferece uma ideia de como ele foi feito.
O antigo manuscrito, datado por radiocarbono do século XV, contém aproximadamente 38.000 palavras escritas e glifos que nunca foram traduzidos — apesar de mais de um século de intenso estudo e análises.
No entanto, o conteúdo continua a intrigar as pessoas, com suas ilustrações bizarras e inexplicáveis de plantas, astrologia e alquimia, incluindo representações supostamente “biológicas” de mulheres nuas tomando banho.
(foto de Domínio Público / Universidade de Yale)

Nova investigação
No estudo, publicado recentemente na Cryptologia — revista acadêmica revisada por pares —, o jornalista científico Michael Greshko investigou uma possível forma de criação do manuscrito.
Ele teve a ideia para a cifra de Naibbe enquanto pesquisava histórias sobre o próprio manuscrito. “É um artefato medieval fascinante e misterioso”, diz o especialista com mestrado em redação científica pelo MIT.
Naibbe primeiro usa o número obtido no lançamento de um dado para decompor um bloco de italiano ou latim em letras simples e duplas — assim, “gatto” (gato em italiano) poderia se tornar “g”, “at” e “to”.
A cifra então usa o sorteio de uma carta de baralho para determinar qual das seis tabelas diferentes será usada para criptografar as letras em “Voynichesse” — os glifos estranhos e indecifrados que aparentemente estão agrupados em palavras no manuscrito.
As tabelas são “ponderadas” pelo número correspondente de cartas, de modo que a ocorrência estatística dos glifos pseudo-Voynichesse seja a mesma vista no próprio manuscrito.
O trabalho de Greshko está entre as principais tentativas de explicar como o manuscrito foi feito. Mas, segundo ele, ainda se trata apenas de uma aproximação do texto do Manuscrito Voynich, e não de uma reprodução completa.
(foto de Domínio Público / Universidade de Yale)

Manuscrito misterioso
O Manuscrito Voynich recebeu esse nome em homenagem ao colecionador de livros polonês, britânico e americano Wilfrid Voynich, que o adquiriu em 1912 de uma coleção reunida por um colégio jesuíta perto de Roma. Atualmente, ele está guardado na Universidade de Yale.
O texto encontra-se agora num ponto crucial das tentativas de compreender línguas perdidas, contudo, os especialistas não têm a certeza de que o Voyniquésio seja real.
Há uma teoria que coloca o manuscrito como uma farsa medieval, ilustrada com desenhos misteriosos e sensuais, e que o texto dos glifos de Voyniquénio seja completamente sem sentido.
A teoria da fraude ganhou força nos últimos anos, à medida que mais tentativas de decifrar o Manuscrito Voyniense — algumas das quais utilizaram métodos de inteligência artificial — falharam em quebrar o suposto código.
Mas as teorias de que o Voyniquésio é baseado em uma língua real e pode ser decifrado ainda são proeminentes. Sendo que a cifra de Naibbe de Greshko é uma das tentativas mais próximas até o momento.
(foto de Domínio Público / Universidade de Yale)

Semelhanças
A versão simulada do texto voyniense gerada pela cifra de Naibbe apresenta diversas semelhanças importantes com o texto original, incluindo as frequências estatísticas dos glifos, o comprimento das “palavras” voynichenses e certas regras da misteriosa gramática do manuscrito.
Essas semelhanças sugerem que um método similar foi usado para criar o antigo manuscrito. Conforme Greshko, a cifra de Naibbe oferece uma maneira totalmente documentada de converter com segurança o latim em algo que se comporta de forma semelhante ao manuscrito.
Para ele, os dados e as cartas de baralho foram escolhidos como fontes de aleatoriedade porque era essencial que a cifra fosse “manualmente executável” com a tecnologia da época.
Em certo momento, Greshko pensou em retirar fichas de um saco — algo parecido com o que acontece quando se chama um bingo — mas percebeu que as cartas de baralho já eram conhecidas na Europa naquela época.
“Minha esperança é que isso seja adotado como um parâmetro de comparação computacional”, sugere o especialista. “Os pontos de diferença entre a cifra e o manuscrito podem indicar como o texto foi realmente criado.”
Fonte: com informações de Tom Metcalfe para o Live Science.
(fotos de Domínio Público / Universidade de Yale)









