Santo Presépio: restos da manjedoura de Jesus de Belém
Todos os anos, muitos cristãos visitam o Relicário do Santo Presépio durante a missa anual da Véspera de Natal, à meia-noite, na Basílica de Santa Maria Maggiore (Basílica de Santa Maria Maior), em Roma, na Itália. O relicário abriga peças importantes: cinco pedaços de madeira da manjedoura onde Jesus foi colocado após o seu nascimento.
A primeira menção histórica das peças do presépio vem de Orígenes, um dos primeiros estudiosos cristãos. Por volta do ano 220 d.C., ele escreveu que a relíquia da Manjedoura Sagrada era preservada em Belém.
Na década de 640, as peças de madeira foram levadas para Roma, para serem guardadas em segurança após a conquista muçulmana de Jerusalém. Durante muitos séculos, os peregrinos que vinham para Roma visitavam essa relíquia.
Mas foi em 1802 que as ripas passaram a fazer parte do Relicário do Santo Presépio que vemos hoje, em ouro, prata e vidro. Alguns anos atrás, em 2019, os pedaços de madeira foram restaurados e um pequeno fragmento dessas peças foi enviado à Palestina como uma relíquia sagrada.
(foto: Basilica Santa Maria Maggiore)

- A relíquia da Manjedoura Sagrada é composta por cinco pedaços de madeira que vêm de uma árvore que cresce na Palestina e é semelhante àquela na qual Zaqueu subiu.
- Quatro desses pedaços provavelmente formavam dois “X” que ficavam de cada lado da manjedoura, e o quinto pedaço foi colocado no meio para mantê-los unidos.
- Esses pedaços de madeira indicam que faziam parte de um objeto sobre o qual se colocava a palha para os animais.
- Os fragmentos de madeira são o que restou após 14 séculos. Os pedaços provavelmente eram maiores e mais longos antes, mas passaram por muitas vicissitudes.
O Evangelho de Lucas menciona que Jesus nasceu em Belém. Como não havia onde Maria e José ficarem na cidade, o recém-nascido Jesus foi colocado em uma manjedoura.

Segundo Monsenhor Piero Marini, guardião do Santo Presépio, os presépios de madeira do final do século I a.C. eram cobertos com palha para alimentar os animais. Mas este presépio em particular é muito mais significativo: diz-se que ali repousava o menino Jesus. (Foto: Capitolo di Santa Maria Maggiore / Aleteia)
História
Na década de 640, Sofrônio, o patriarca de Jerusalém, enviou várias ripas de madeira sem grande importância para Roma, para serem guardadas em segurança após a conquista muçulmana de Jerusalém. Sofrônio pediu ao Papa Teodoro I que protegesse os pedaços de madeira, que, segundo ele, eram os restos da manjedoura de Jesus.
Foi o Papa Pio IX, que no ano de 1802, encomendou o relicário onde as peças estão atualmente. O relicário foi feito por Giuseppe Valadier, que vinha de uma família de ourives romanos.
(foto: Capitolo di Santa Maria Maggiore / Aleteia)

A encomenda foi feita para substituir uma urna mais antiga que havia sido roubada pelas tropas de Napoleão no final do século XVIII — as tropas deixaram a madeira na basílica.
A primeira menção histórica das peças do presépio vem de Orígenes, um dos primeiros estudiosos cristãos, que escreveu em 220 d.C. que o presépio estava preservado em Belém.
Depois, por volta de 400 d.C., São Jerônimo mencionou o Santo Presépio e as inúmeras peregrinações que as pessoas faziam até ele na Gruta da Natividade, em Belém.
Desde que as peças de madeira chegaram a Roma no século VII, o presépio permanece em Santa Maria Maior.
Muitos estudiosos bíblicos acreditam que Jesus nasceu entre 6 e 4 a.C. E embora seu nascimento seja celebrado em 25 de dezembro todos os anos, os estudiosos não têm certeza da data exata de seu nascimento.
Estudo
Em 1894, o abade Giuseppe Cozza-Luzi foi o primeiro a estudar os restos do Santo Presépio. Seu exame revelou a existência de duas peças de madeira mais compridas e três mais curtas — com comprimentos variando de 64 a 85 centímetros — e que todas haviam sido danificadas ao longo do tempo.
Várias das peças também apresentavam furos e vestígios de metal, sugerindo que outrora haviam sido utilizadas na construção de uma manjedoura.
Com base em uma análise microscópica de um pequeno pedaço de madeira removido no século XVII, Cozza-Luzi concluiu que a madeira era uma espécie de bordo duro, possivelmente plátano.
O tipo de madeira, o formato das ripas e as evidências de construção — juntamente com referências históricas — sugeriram a ele que os restos do Santo Presépio faziam parte de uma autêntica manjedoura antiga da região de Jerusalém.
Em 2019, especialistas restauraram as ripas de madeira, e o Papa Francisco aproveitou a oportunidade para devolver à Terra Santa um pequeno pedaço do presépio, com uma placa que dizia “Ex cunis Iesu Infantis”, que significa “Do presépio do Menino Jesus”.

Relicário do Santo Presépio na Basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma. (crédito da foto: Capitolo di Santa Maria Maggiore / Aleteia)
Fonte: com informações de Kristina Killgrove para o Live Science.






