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O mundo secreto do sono animal

Todo animal com cérebro precisa dormir — e até mesmo alguns sem cérebro também. Humanos dormem, pássaros dormem, baleias dormem e até mesmo águas-vivas dormem.

Dormir é universal, embora seja na verdade muito arriscado. Quando os animais adormecem, ficam mais vulneráveis ​​a predadores sorrateiros. Mas, apesar dos riscos, a necessidade de dormir é tão forte que nenhuma criatura consegue evitá-la completamente, mesmo quando isso é extremamente inconveniente.

Animais que enfrentam condições e ambientes extremos evoluíram para dormir de maneiras extremas — por exemplo, aproveitando cada segundo durante o cuidado parental ininterrupto, cochilando em pleno voo durante longas migrações e até mesmo dormindo enquanto nadam.

Durante muito tempo, os cientistas só podiam fazer suposições fundamentadas sobre quando os animais selvagens dormiam, observando quando ficavam imóveis e fechavam os olhos.

Mas, nos últimos anos, minúsculos rastreadores e capacetes que medem ondas cerebrais — versões miniaturizadas de equipamentos usados ​​em laboratórios de sono humano — permitiram que os pesquisadores vislumbrassem, pela primeira vez, as maneiras variadas e, às vezes, espetaculares pelas quais os animais selvagens dormem.

“Estamos descobrindo que o sono é realmente flexível em resposta às demandas ecológicas”, disse Niels Rattenborg, especialista em pesquisa do sono animal no Instituto Max Planck de Inteligência Biológica, na Alemanha. 

Pinguins e seus “microssonos”

Veja o caso dos pinguins-de-barbicha na Antártida, uma espécie estudada por Paul-Antoine Libourel, do Centro de Pesquisa em Neurociências de Lyon, na França.

Esses pinguins acasalam para a vida toda e compartilham as tarefas parentais — um deles cuida do ovo ou do pequeno filhote cinza e fofo para mantê-lo aquecido e seguro, enquanto o outro nada para pescar e garantir a refeição da família. Depois, eles trocam de papéis — mantendo esse trabalho ininterrupto por semanas.

(foto: Rob Oo / Flickr)

Os pais pinguins enfrentam um desafio comum: conseguir dormir o suficiente e, ao mesmo tempo, manter um olhar atento sobre seus filhotes recém-nascidos.

Eles sobrevivem tirando milhares de cochilos por dia — cada um com duração média de apenas 4 segundos.

Esses breves “microssonos”, como os chama o biólogo Won Young Lee, do Instituto de Pesquisa Polar da Coreia, parecem ser suficientes para permitir que os pais pinguins realizem seus cuidados com os filhotes por semanas em suas colônias lotadas e barulhentas.

Quando um vizinho desajeitado passa por perto ou aves marinhas predadoras se aproximam, o pinguim adulto pisca para chamar a atenção e logo volta a cochilar, com o queixo encostado no peito, como um motorista sonolento.

Os cochilos se acumulam. Cada pinguim dorme um total de 11 horas por dia, como descobriram cientistas ao medir a atividade cerebral de 14 adultos durante 11 dias na Ilha Rei George, na Antártida.

Para se manterem em estado de alerta na maior parte do tempo, mas também para conseguirem cochilar o suficiente, os pinguins desenvolveram uma invejável capacidade de funcionar com um sono extremamente fragmentado — pelo menos durante a época de reprodução.

Fragatas dormem metade do cérebro

Poetas, marinheiros e observadores de pássaros há muito se perguntam se as aves que voam durante meses a fio realmente cochilam em pleno voo.

Em alguns casos, a resposta é sim — como descobriram os cientistas ao conectarem dispositivos que medem a atividade das ondas cerebrais às cabeças de grandes aves marinhas que nidificam nas Ilhas Galápagos, chamadas fragatas-grandes.

(foto: E. Kirdler / U.S. Fish and Wildlife Service)

Durante o voo, as fragatas conseguem dormir com apenas metade do cérebro funcionando por vez. A outra metade permanece semi-alerta, de modo que um dos olhos continua atento a possíveis obstáculos em sua rota de voo.

Isso permite que as aves planem por semanas a fio, sem tocar em terra ou água, o que danificaria suas penas delicadas e não impermeáveis.

As fragatas não conseguem realizar manobras complexas — como bater as asas, procurar alimento ou mergulhar — usando somente metade do cérebro. Quando mergulham para capturar presas, precisam estar totalmente despertas.

Mas, em voo, elas evoluíram para dormir enquanto planam e circulam para cima, aproveitando as correntes ascendentes de ar quente, que as mantêm no ar com o mínimo esforço.

De volta ao ninho em árvores ou arbustos, as fragatas mudam sua rotina de soneca — elas passam a dormir com o cérebro todo ligado e por períodos muito mais longos. Isso sugere que o sono em voo é uma adaptação específica para voos prolongados, disse Rattenborg.

As fragatas conseguem voar 410 quilômetros por dia durante mais de 40 dias antes de pousar, segundo pesquisadores — uma façanha que não seria possível sem a capacidade de dormir em pleno voo.

Outros animais também possuem mecanismos semelhantes para dormir. Os golfinhos conseguem dormir com metade do cérebro de cada vez enquanto nadam. Algumas outras aves, incluindo andorinhões e albatrozes, conseguem dormir em pleno voo, segundo cientistas.

Fonte: com informações de Christina Larson, Nicky Forster, Hyojin Yoo, Peter Hamlin e Caleb Diehl para a Associated Press.

Golfinhos dormem com metade do cérebro funcionando de cada vez, para poderem continuar a respirar e a nadar (foto: Wirestock / Freepik)

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