Mentira: entenda os limites entre autoilusão e fraude
Mentir é humano, mas quando deixa de ser uma exceção e comanda decisões, relações e identidades, ela ultrapassa o campo da ética e entra no território da saúde mental. É esse o ponto de partida do livro As mentiras que contam para você – O poder da autoilusão, de Carlos Eduardo Simões, publicado pela Literare Books International.
A obra investiga a linha tênue entre a mentira como ferramenta de proteção emocional e o risco de ela se tornar uma prisão invisível. “Muitas vezes, não é a mentira do outro que mais nos machuca, mas a que repetimos internamente até se tornar um muro invisível que nos impede de avançar”, escreve o autor.
Mitomania
Ao longo do livro, Carlos Eduardo explora como a mentira pode evoluir para uma condição clínica: a mitomania, distúrbio no qual o indivíduo mente de forma frequente e sem uma motivação clara. Diferente da mentira pontual, a mentira vira compulsão e o mitômano constrói realidades alternativas e, frequentemente, acredita nelas.
Essa desconexão da realidade pode ter impactos profundos: emocionais, sociais e até criminais. Um exemplo citado é o do juiz aposentado José Eduardo Franco dos Reis, que viveu por mais de 40 anos com identidade falsa como suposto nobre britânico.
A farsa só veio à tona em 2024, após análise de impressões digitais. “O mais impressionante nesses casos não é apenas a construção da mentira, mas o quanto o sistema se adapta a ela”, observa o autor.

Autoilusão
Carlos Eduardo não se limita a analisar fraudes escandalosas. Seu foco é a autoilusão cotidiana: aquelas pequenas mentiras que usamos para evitar dor, rejeição ou fracasso. “Mentimos por medo, por vergonha, por querer aceitação. Mas também porque não aprendemos a lidar com a verdade com maturidade”, afirma.
Ao misturar vivências, casos reais e reflexões embasadas em psicologia, o autor propõe um desafio libertador: revisitar a narrativa pessoal e perguntar o que, de fato, é verdade.
A mensagem é clara: viver na mentira pode parecer mais confortável, mas custa caro demais com o tempo. E como sintetiza o autor: “Enxergar a verdade pode doer. Mas viver uma mentira dói mais – e por muito mais tempo.”
Fonte: com informações Brazil Health.






