Tribo Quântica

o seu portal holístico

Planejamento sem identidade é ilusão; líder não pode errar

A cada início de ano, é comum as pessoas repetirem o mesmo ritual: metas ambiciosas, objetivos estratégicos e planilhas impecáveis. Ainda assim, boa parte dessas estratégias morre antes do Carnaval. Não por falta de inteligência, capital ou método, mas por um erro estrutural: planejar resultados sem revisar a própria identidade de quem vai executá-los.

Ao longo de mais de duas décadas trabalhando com líderes e empresários, a psicóloga e empresária Fernanda Tochetto diz que o ano não começa no calendário e, sim, na consciência das pessoas.

Pesquisas da Harvard Business Review indicam que metas desconectadas da identidade e do modo real de operar do líder têm até três vezes menos chance de execução consistente. Isso indica que o problema não está no plano. “Está na mente que tenta sustentá-lo”, afirma.

Em situações onde decisões são tomadas sob pressão, identidade não é conceito filosófico, é infraestrutura invisível de performance — que sustenta disciplina, coerência e capacidade de atravessar turbulências.

Quando um líder tenta operar em um nível de entrega maior do que sua identidade comporta, a execução falha cedo. A agenda trava, a procrastinação aparece, a ansiedade cresce. Por mais que o plano seja bom, não se sustenta.

Propósito que orienta decisões

Outro ponto negligenciado no ambiente corporativo é o propósito. Não como slogan de parede, mas como eixo prático de decisão.

Um levantamento da McKinsey mostra que líderes que revisitam o próprio propósito de forma estruturada apresentam níveis significativamente maiores de clareza em decisões estratégicas complexas.

(foto: Freepik)

Na prática, o propósito reduz ruído, organiza prioridades e diminui decisões reativas, algo crítico em ambientes de alta pressão como o mercado financeiro, por exemplo.

Quando o propósito falta, a execução se dispersa. Quando está claro, ele funciona como filtro silencioso do que entra, do que não entra, onde investir energia, onde dizer não.

Fernanda conta que no seu trabalho, costuma organizar o fechamento e a abertura de ciclos em três blocos objetivos.

  • O primeiro é encerrar: eliminar excessos, padrões emocionais improdutivos e projetos que drenam energia sem retorno.
  • O segundo é consolidar: fortalecer o que funcionou, processos que geraram resultado e comportamentos que sustentaram a performance.
  • O terceiro é iniciar: decisões estratégicas e movimentos que constroem o novo ciclo.

Sem esse protocolo, líderes carregam ruídos antigos para o ano seguinte e pagam o preço na execução.

Ambiente certo multiplica resultados

Há ainda um fator que as empresas corporativas conhecem bem: o ambiente. Estudos da Harvard Business School mostram que ambientes de alta performance podem elevar em até 60% a capacidade de execução das equipes no mercado financeiro.

Não se trata apenas de talento individual, mas de ambiência decisória: conversas qualificadas, referências altas, gente que sustenta decisões grandes. “Ninguém falha pela meta. Falha pelo ambiente que não sustenta a meta”, explica a psicóloga.

Encerrar um ano não é fechar balanço. É tomar decisões estruturantes. Decisão é destino. E nenhuma meta supera a força de uma decisão verdadeira. Se você entrar em 2026 igual, o resultado tende a ser igual.

Fonte: com informações de Fernanda Tochetto para a Brazil Health.

Fernanda Tochetto, é psicóloga e empresária. Especialista em mentalidade de alta performance. Fundadora do Tittanium Club e cofundadora da Mentoring League Society (MLS), a maior liga de mentores do Brasil.

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *