O primata mais raro do mundo está voltando
Em 2003, havia apenas 13 gibões-de-hainan, o primata mais raro do mundo, vivendo na ilha de Hainan, no Mar da China Meridional. Mas, contrariando todas as expectativas, a espécie mais que triplicou sua população, chegando a 42 indivíduos.
Para se ter uma ideia do risco de extinção, na década de 1950 havia cerca de 2.000 deles na ilha. O desmatamento e a caça levaram à redução dos indivíduos dessa espécie que é arborícola — passam a maior parte do tempo em árvores.
Agora, os cientistas descobriram que os animais sobreviventes estão se recuperando graças à sua genética. Em um estudo, foram encontradas evidências de que a população atual possui uma baixa presença de genes e mutações prejudiciais, bem como alta recombinação genômica local.
(foto: Li Wenyong Xinhua / Getty Images)

Conforme os pesquisadores, a espécie passou por um declínio populacional significativo durante a última Era Glacial, há cerca de 20.000 a 26.000 anos. Nos milênios seguintes, a espécie se recuperou, mantendo duas linhagens genéticas separadas.
Diante do desmatamento na ilha, alguns gibões se expandiram para novas áreas nas últimas duas décadas, o que levou à mistura das duas linhagens pela primeira vez em cerca de 450 anos.
Com isso, houve uma mistura de DNA, resultando em uma base genética surpreendentemente resiliente. Para descobrir isso, os autores do estudo analisaram amostras fecais de 18 gibões vivos e o DNA de quatro espécimes de museu.
(foto: Li Wenyong Xinhua / Getty Images)

Recuperação da espécie
Após a confirmação dos 13 indivíduos restantes em 2003, esforços são feitos para ajudar na recuperação da espécie. Iniciaram os estudos sobre os gibões, conscientizando a comunidade local e plantando as árvores que servem de alimento para os animais.
Os gibões de Hainan são principalmente frugívoros, alimentando-se sobretudo de frutas como lichias e figos, além de sementes e, ocasionalmente, insetos.
(foto: Jessica Bryant / ZSL)

Em 2016, a Sociedade Zoológica de Londres reuniu representantes chineses e internacionais para desenvolver um plano de resposta emergencial para a espécie e continua a construir parcerias com organizações locais na China.
Em 2020, a população já havia aumentado para 30 indivíduos, distribuídos em cinco grupos familiares. Todos os macacos estão confinados em uma área no Parque Nacional da Floresta Tropical de Hainan.
Fonte: com informações de Marika Price Spitulski para o NiceNews e Zoological Society of London.






